
A Corregedoria-Geral da Brigada Militar iniciou, nesta quarta-feira (21), uma nova fase da apuração sobre a ação policial que terminou com a morte do produtor rural Marcos Nörnberg, na zona rural de Pelotas. O órgão passou a ouvir não apenas os agentes afastados, mas também familiares da vítima. Nesta manhã, a viúva, Raquel Nörnberg, chegou à sede do Ministério Público para prestar seu depoimento.
Antes de entrar para a audiência, Raquel afirmou estar mais nervosa do que no dia anterior, quando esteve na Delegacia de Homicídios, mas disse esperar que o relato contribua para o esclarecimento do caso.
— Eu estou acreditando que a Corregedoria vai, até as últimas consequências, fazer uma investigação de forma imparcial. Eu estou com muita esperança. Tá sendo bem difícil, porque cada vez eu tenho que reviver tudo o que aconteceu.
A oitiva ocorre um dia depois de Raquel ter prestado depoimento à Polícia Civil, em um relato que durou mais de duas horas. Segundo o advogado da família, não houve mudanças substanciais em relação à versão inicial apresentada, mas a viúva conseguiu acrescentar novos detalhes que podem contribuir para o andamento da investigação.
Inquérito militar amplia oitivas
A Corregedoria instaurou um inquérito policial militar (IPM) para apurar a conduta dos agentes envolvidos na operação. Dezoito policiais foram afastados temporariamente, integrantes do 4º Batalhão de Polícia Militar e do 5º Batalhão de Choque.
Além dos depoimentos dos policiais, o órgão passou a colher relatos de familiares e testemunhas que estavam presentes na abordagem.
De acordo com a Polícia Civil, somente após a oitiva de todos os familiares é que os policiais militares envolvidos serão chamados para depor no inquérito conduzido pela delegacia responsável.
Defesa diz ainda analisar o processo
Representando os policiais afastados, o advogado Rafael Romeu afirmou que a defesa ainda está tomando conhecimento do conteúdo dos inquéritos e que só depois irá se manifestar oficialmente.
— A defesa vai tomar conhecimento dos fatos, das provas que estão nos autos, tanto do inquérito da Polícia Civil como do inquérito do IPM da Brigada Militar, e após a gente vai fazer uma nota esclarecendo os fatos e as coisas que estão dentro do processo.
Segundo o advogado, ele assumiu a defesa dos agentes no início desta semana.
— Essa semana, segunda-feira.
Relato de confusão na abordagem
Logo após o episódio, Raquel relatou que ela e o marido acreditaram estar sendo vítimas de um assalto. Segundo a viúva, as viaturas não estavam com sirenes acionadas no momento da chegada ao local.
A morte de Marcos Nörnberg ocorreu durante uma ação policial na zona rural de Pelotas. O caso segue sob apuração da Polícia Civil e da Brigada Militar, sem prazo definido para conclusão.
Laudo do IGP é concluído
À GZH Zona Sul, a titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Pelotas (DHPP), Walquiria Meder, confirmou ter recebido o laudo do Instituto-Geral de Perícias sobre a morte de Marcos. Questionada sobre o resultado, contudo, adiantou que não pretende divulgar detalhes da análise no momento.



