
O corregedor-geral da Brigada Militar, coronel Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, afirmou na manhã desta sexta-feira (16) em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, que, além da morte do agricultor, em Pelotas, no sul do Estado, o inquérito policial militar aberto irá apurar possíveis crimes contra a viúva da vítima.
Marcos Nörnberg, 48 anos, foi morto a tiros na madrugada desta quinta-feira (15), durante uma ação da Brigada Militar (BM). A esposa dela Raquel Nörnberg relatou que, após o marido ser alvejado, dentro de casa, ela teria sido coagida e humilhada pelos policiais.
— Com relação ao depoimento da senhora Raquel, o relato dela nos sinaliza outras condutas criminosas, que estão no curso da apuração — disse o corregedor.
Segundo o corregedor, os 18 policiais envolvidos na ocorrência integram o 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Pelotas e o 5º Batalhão de Choque, também do município do sul do Estado. Os policiais envolvidos na ação foram afastados temporariamente das atividades. Eles serão ouvidos nos próximos dias pela Corregedoria.
A Brigada Militar afirma que os policiais foram até o local após receberem informações da Polícia Militar do Paraná sobre um local onde haveria um depósito de drogas e veículos roubados, guarnecido por bandidos.
A informação teria sido repassada, segundo a BM, após dois homens serem presos no município de Guaíra, na fronteira com o Paraguai. Os dois estariam envolvidos num assalto a uma propriedade rural no interior de Pelotas, onde um caseiro teria sido mantido em cárcere por um grupo criminoso.
— A notícia que se tinha é de reunião de cinco indivíduos de uma facção criminosa, armados, na posse de entorpecentes. A informação levava a pressupor um estado de flagrância e isso motivou a ação da BM — disse o corregedor.
Sobre o fato de os policiais terem ido ao local sem mandado de busca e apreensão, o corregedor afirmou que essas circunstâncias ainda serão apuradas. O coronel evitou emitir juízo sobre a ação dos policiais.
— Esse aspecto da operação propriamente dita também faz parte da apuração para verificar se essa medida foi a forma mais adequada — declarou.
O coronel afirmou que uma equipe da Corregedoria-Geral da BM está em Pelotas desde quinta-feira, e que o objetivo é concluir a apuração no menor tempo possível. O prazo do inquérito policial militar é de no máximo 40 dias.
Em relação a ação, o corregedor defendeu que o caso não pode marcar a atuação de toda a Brigada Militar.
— Uma infeliz coincidência não pode ser tratada como uma regra geral. Em todos cantos do Estado, estamos patrulhando as áreas das nossas comunidades e levando a elas mais segurança — afirmou.
"Eu tinha medo de morrer", disse esposa de agricultor
— Eu tinha medo de morrer. As pessoas que eram para defender a gente, que eram para estar protegendo a gente, foram as pessoas que mataram meu marido — disse a viúva.

Segundo Raquel, o casal foi acordado pelo barulho dos cachorros e por movimentação ao redor da casa.
— De repente, tinha vários homens na janela mandando abrir a porta. A gente achou que era bandido — relata.
Diante da situação, o produtor pegou uma arma que tinha em casa. A esposa afirmou que tudo aconteceu em segundos. Raquel contou que, logo depois, a porta foi arrombada e os disparos começaram.
— Derrubaram a porta e começaram a atirar. Eu me deitei no chão. Meu marido ainda falou “eles me atingiram” e caiu, assim, deitado — descreveu.
Somente após os tiros, segundo ela, veio a constatação de que se tratava de policiais.
— Foi uma surpresa quando eu vi que era uma ação policial, porque não era o que parecia — contou.
Raquel relatou ainda que, após o marido ser baleado, foi submetida a um interrogatório no local.
— Eles me colocaram de joelhos. Debocharam de mim, me humilharam. Ficavam perguntando meu nome, dizendo que aquele não era o meu nome, e o nome do meu marido, dizendo também que não era o nome dele — conta.




