
Depois de mais de cinco meses de incerteza, buscas e espera, familiares e amigos de Brasília Costa, 65 anos, se despediram na manhã desta sexta-feira (30), em Jaguarão, no sul do Estado. O velório ocorreu no Cemitério das Irmandades e o sepultamento foi às 9h15min.
O clima foi de silêncio e permaneceu assim durante toda a manhã, restrito a parentes e amigos mais próximos.
Para a família, o enterro representou o fim de um período prolongado de angústia.
— A dor não passa, mas poder se despedir dá um pequeno conforto depois de todos esses meses. — relatou a sobrinha Danielle Vaz.
Ela contou que pai, irmão de Brasília, enfrentou dificuldades para lidar com o desaparecimento e com as notícias do caso.
— Ele já tem depressão, então foi uma bola de neve. Era muita angústia, muita incerteza. Hoje, pelo menos, ele sabe que ela está descansando. Agora ela consegue descansar.
Danielle lembrou da tia como uma pessoa reservada, mas afetuosa com a família.
— Ela tinha o jeitinho dela, mais fechada às vezes, mas quando tu conseguia abrir aquela casquinha, era muito divertida. Eu fiz minha primeira viagem sozinha com ela. A gente morou junto um tempo. São memórias que ficam.
Amigos próximos também compareceram ao velório. O chaveiro Fernando Garcia, amigo da família há anos, destacou a relação de Brasília com parentes e conhecidos.
— A gente sempre ouviu falar bem dela. Era uma pessoa amorosa, muito ligada à família. Sempre teve um bom nome.
Além do luto, os familiares reforçaram o desejo por responsabilização do autor do crime.
— Agora a luta é por justiça. Que ele não saia dessa vez. Se não tivesse saído antes, não teria feito de novo — afirmou Danielle.
Relembre o caso
Brasília Costa foi morta em agosto de 2025. O caso ganhou repercussão nacional após o tronco da vítima ter sido encontrado dentro de uma mala deixada na Estação Rodoviária de Porto Alegre. Ao longo das semanas seguintes, outras partes do corpo foram localizadas em diferentes pontos da Capital.
O então namorado, Ricardo Jardim, foi preso em setembro e indiciado por oito crimes, entre eles feminicídio, ocultação e vilipêndio de cadáver.
Segundo a Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança e exames periciais ligaram o suspeito ao descarte da mala no terminal rodoviário.
O sepultamento em Jaguarão marcou o retorno de Brasília à cidade onde vive parte da família.
— O corpo já tinha sido liberado há um tempo, mas a gente esperou na esperança de encontrar o restante. Agora conseguimos fazer a despedida — explicou o irmão, Hamilton Costa.



