A Justiça Federal condenou 12 pessoas, sendo 11 homens e uma mulher, pelo envolvimento de tráfico internacional de drogas via Porto de Rio Grande. A sentença, divulgada nesta semana, possui condenações que variam de três a 24 anos de prisão, além de aplicação de multas.
O líder da organização criminosa recebeu a pena mais alta, de 24 anos e 15 dias de prisão em regime fechado, além de 1.612 e 1.166 dias-multa, calculados com base em metade do salário mínimo vigente à época dos crimes, que ocorreram entre novembro de 2022 e abril de 2024.
Entre os condenados, estão o dono do estaleiro usado nas operações e três mergulhadores responsáveis pela colocação da cocaína nos navios.
Conforme a sentença, dois deles receberam oito anos e cinco meses de prisão. Já o terceiro mergulhador, que atuou em mais ocasiões, foi condenado a 11 anos de reclusão.
Outros dois integrantes, ligados ao financiamento e à logística das ações, receberam penas de 11 anos e de nove anos e nove meses, respectivamente.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as penas de três anos de prisão foram substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de valor pecuniário.
Na sentença, o juiz federal Davi Kassic Ferreira afirma: "Trata-se de associação para o tráfico de estrutura complexa e organizada, caracterizada pela divisão de funções. Seu modus operandi envolve sofisticado esquema de exportação de vultosas quantidades de cocaína pelo modal marítimo. Nele, há atividade de mergulhadores especializados e a contaminação subaquática de navios com destinos intercontinentais".
Das doze pessoas, dois homens irão cumprir pena em regime domiciliar, devido problemas de saúde. As penas são de sete e oito anos.
Modus operandi
O grupo era especializado em exportar cocaína utilizando mergulhadores que escondiam a droga nas caixas de mar dos navios atracados no porto. A caixa mar é um compartimento submerso, por onde entra água para refrigerar os motores do barco.
Além da Europa, segundo a PF, foram identificados outros possíveis destinos das remessas de drogas enviadas pelo grupo.
Em 2022, durante a Operação Escanfria, a Polícia Federal identificou os integrantes, que atuavam nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Na época, o monitoramento da quadrilha permitiu apreender 426,6 quilos da droga em navios interceptados na Turquia, na Espanha e na Austrália, além de uma apreensão no Paraná. O grupo já atuava com a prática criminosa há cerca de dois anos.
A operação resultou nos 12 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas pelos policiais federais, com apoio da Receita Federal, da Marinha e da Brigada Militar. As ações também contam com a cooperação policial internacional, com a participação da Europol e da polícia da Alemanha.
Quatro prisões foram efetuadas em Rio Grande, uma em Florianópolis e quatro no Paraná. Ainda foi preso um brasileiro, que estava residindo na Alemanha, apontado como uma das lideranças do esquema.





