
A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) inicia, em agosto, uma nova etapa do estudo Como Vai? 2, que vai acompanhar cerca de 1,5 mil moradores com 60 anos ou mais da zona urbana de Pelotas. A pesquisa pretende traçar um panorama da saúde, das condições de vida e das principais necessidades dessa população, produzindo informações que poderão subsidiar políticas públicas e a formação de profissionais da área.
A iniciativa dá continuidade a um levantamento iniciado em 2014, quando 1.451 idosos passaram a ser acompanhados ao longo de cinco avaliações. Agora, a universidade formará uma nova coorte — grupo de participantes acompanhado durante um longo período — para comparar o perfil da atual geração de idosos, especialmente após os impactos da pandemia de covid-19 e do envelhecimento da população.
— É uma pesquisa importante para a universidade, especialmente porque essa população cresce muito e ela tem necessidades que são muito peculiares e que nós ainda hoje, enquanto sociedade, não estamos preparados para lidar com elas — explica a professora da UFPel e coordenadora do projeto, Renata Bilemann.
As visitas domiciliares serão realizadas por 12 entrevistadoras, acompanhadas por supervisoras de campo vinculadas à pós-graduação da UFPel. As equipes estarão identificadas com coletes azul-marinho da pesquisa e percorrerão residências previamente sorteadas em diferentes bairros de Pelotas.
O estudo reúne professores e estudantes dos cursos de Nutrição, Epidemiologia, Educação Física, Odontologia e Enfermagem.

Como serão escolhidos os participantes
A seleção será feita por meio de uma amostragem baseada nos setores censitários do IBGE. Dos mais de 600 setores existentes em Pelotas, 92 já foram sorteados. Em cada um deles, as entrevistadoras visitarão 31 residências e convidarão moradores com 60 anos ou mais para participar do estudo.
A expectativa é concluir aproximadamente 1,5 mil entrevistas ao longo de cerca de oito meses de trabalho de campo.
Segundo a coordenação, a nova amostra permitirá comparar a realidade dos idosos de hoje com a daqueles entrevistados em 2014, além de avaliar possíveis impactos deixados pela pandemia nessa faixa etária.
Além de responderem a um questionário, os participantes passarão por avaliações relacionadas à qualidade de vida, qualidade do sono, internações, uso de medicamentos, sintomas depressivos, alimentação, atividade física, tabagismo e consumo de álcool.
Também serão analisadas condições associadas às chamadas síndromes geriátricas, como fragilidade, sarcopenia, estado nutricional e saúde bucal. O estudo inclui ainda testes de força, caminhada, acuidade visual e medições antropométricas, como peso, altura e circunferência da cintura.
Dados vão subsidiar políticas públicas
As informações coletadas serão utilizadas para identificar as principais demandas da população idosa de Pelotas e contribuir com o planejamento de políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde e assistência social.
Entre os temas que poderão ser analisados estão o perfil de doenças, o uso de medicamentos, a insegurança alimentar, o acesso aos serviços de saúde e as características socioeconômicas dos participantes.
— Se a gente não conseguir trazer retorno para essa geração de idosos, pelo menos para as futuras que a gente consiga trazer um retorno em termos de informação de qualidade para subsidiar as políticas públicas que a população precisa — diz Bilemann.
A nova etapa do estudo ocorre em um contexto de envelhecimento acelerado da população. Entre os censos de 2010 e 2022, a proporção de idosos em Pelotas aumentou cerca de 37%, reforçando a necessidade de ampliar o conhecimento sobre as condições de vida e as demandas desse grupo.
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