
A superlotação no pronto-socorro da Santa Casa de Rio Grande voltou a se agravar. Nesta quarta-feira (8), a taxa de ocupação da emergência chegou a 210%, o maior índice divulgado pela instituição nas últimas semanas. Segundo o hospital, 38 pacientes aguardam leitos de internação enquanto permanecem no setor de urgência e emergência.
O cenário ocorre uma semana após a Santa Casa colocar em funcionamento novos leitos clínicos e de terapia intensiva para enfrentar o aumento da demanda durante o inverno. Conforme a instituição, porém, as novas vagas foram imediatamente ocupadas por pacientes que já aguardavam internação e, diante da continuidade da alta procura pela emergência, a ampliação não foi suficiente para reduzir a superlotação.
De acordo com a Santa Casa, os pacientes atendidos atualmente são, em sua maioria, casos clínicos, seguidos por atendimentos cardiológicos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), pacientes com necessidade de cuidados intensivos, casos respiratórios, cirúrgicos, pediátricos e ambulatoriais.
A direção do hospital explica que o pronto-socorro foi estruturado para funcionar como uma unidade de passagem, onde o paciente deve receber alta ou ser encaminhado para internação após a estabilização. No entanto, a falta de leitos faz com que a emergência passe a funcionar temporariamente como uma unidade de internação.
Atualmente, os 38 pacientes que aguardam vagas já estão regulados pelo Sistema Estadual de Regulação e esperam por leitos na própria Santa Casa ou em outros hospitais de referência.
Em nota, a instituição afirma que nenhum paciente grave deixará de ser atendido, mas ressalta que a elevada demanda tem exigido medidas excepcionais, como a acomodação de pacientes em corredores e poltronas, além de sobrecarregar a estrutura física e as equipes de atendimento.
Novos leitos já foram ocupados
Na semana passada, a Santa Casa colocou em funcionamento cinco dos dez novos leitos de UTI previstos, além de dez leitos clínicos destinados principalmente a pacientes com síndromes respiratórias. A expectativa da instituição é concluir a abertura dos demais leitos de terapia intensiva até o fim de julho.
Segundo a assessoria de comunicação do hospital, porém, a ampliação não foi suficiente para reduzir a ocupação.
— Os leitos foram ocupados por quem já precisava de internação. A demanda é muito grande. Os 20 novos leitos (10 clínicos e 10 de UTI) auxiliam, mas não resolvem o problema. Hoje temos 38 pessoas aguardando leito e os que abriram já foram ocupados — informou a assessoria.
Hospital reforça orientação para procurar UPAs e UBSs
Diante do cenário, a Santa Casa voltou a orientar que pacientes com quadros de menor gravidade procurem as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A recomendação é que o pronto-socorro seja utilizado prioritariamente em situações de urgência e emergência, como suspeitas de infarto, AVC, insuficiência respiratória grave, traumas, hemorragias e outras condições que exijam atendimento imediato.
A Santa Casa vem registrando sucessivos recordes de ocupação desde o início do inverno. No fim de junho, a emergência chegou a operar com 185,7% da capacidade, cenário que motivou a abertura dos novos leitos clínicos e de terapia intensiva.
Mesmo com a ampliação da estrutura, a alta procura por atendimento e a demora na liberação de vagas para internação mantêm o pronto-socorro operando acima da capacidade instalada.
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