
O número de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) chegou a 26 em Rio Grande em 2026. Entre as vítimas, 17 eram idosos com 60 anos ou mais e outras nove tinham entre 18 e 59 anos.
A doença é caracterizada por um quadro respiratório grave que geralmente começa como uma síndrome gripal e evolui com sintomas como falta de ar, desconforto respiratório, dor persistente no tórax e queda na saturação de oxigênio. A SRAG pode ser causada por vírus como Influenza, Covid-19, Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Rinovírus.
Além dos óbitos, Rio Grande também apresenta índices de hospitalização superiores aos registrados na região e no Estado.
Segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, são 116,7 internações por SRAG para cada 100 mil habitantes. O índice é superior ao da área de abrangência da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde, que apresenta taxa de 52,02 hospitalizações por 100 mil habitantes, e também supera a média estadual, de 57,3 internações por 100 mil habitantes.
De acordo com a superintendente da Atenção Especializada da Secretaria da Saúde, Debora Rodrigues, os pacientes são atendidos principalmente no Hospital Universitário da Furg (HU-Furg) e na Santa Casa de Rio Grande.
Apesar do aumento na procura por atendimento devido aos casos respiratórios nos últimos meses, a rede de saúde não enfrenta superlotação relacionada à doença.
— Não temos pacientes por síndrome respiratória aguardando leito nas UPAs do município. O que temos é três pacientes à espera de leito de enfermaria clínica por outras doenças. Temos um cenário estável no momento — afirma.
Influenza concentra maior número de casos graves
Entre os vírus identificados nos pacientes hospitalizados, a Influenza aparece como a principal responsável pelos casos graves registrados em Rio Grande neste ano.
Até o momento, foram confirmados 48 casos associados ao vírus da gripe, número superior ao registrado para Covid-19, Vírus Sincicial Respiratório e Metapneumovírus.
A chefe da Vigilância em Saúde de Rio Grande, Michele Menezes, reforça que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.
— É importante reforçar a vacinação para Influenza, pois é a medida mais eficaz. A maioria dos óbitos não estava vacinada — destaca.
Os números mostram uma circulação mais intensa da gripe em comparação com o ano passado. Enquanto 2025 encerrou com 47 hospitalizações relacionadas à Influenza, somente no primeiro semestre de 2026 já foram registrados 48 casos graves.
Cobertura vacinal segue abaixo da meta
O avanço da gripe ocorre em meio à baixa adesão à campanha de vacinação entre os grupos prioritários.
Segundo a Secretaria da Saúde, 55,6% dos idosos receberam a vacina contra a Influenza. Entre as gestantes, a cobertura é de 40%, enquanto entre as crianças de seis meses a menores de seis anos o índice chega a 37,3%.
A cobertura geral dos públicos prioritários está em 57,3%, distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Os idosos seguem como o grupo mais afetado pelas formas graves da doença, concentrando a maior parte das internações e dos óbitos por SRAG. As crianças menores de cinco anos também estão entre os grupos com maior número de hospitalizações.
— As crianças estão super abaixo da meta — alerta Michele Menezes.
Como estratégia para ampliar a imunização, quatro postos de saúde vão manter vacinação em horário estendido até o fim de julho: Parque Marinha, Rita Lobato, Profilurb e Vila da Quinta.
Nas demais Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município, a aplicação ocorre normalmente das 8h às 17h.
Para receber a vacina, é necessário apresentar documento com foto e carteira de vacinação ou o aplicativo Cartão SUS.
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