
Cerca de 40% das crianças de zero a nove anos acompanhadas pela rede de saúde em Pelotas apresentam algum grau de sobrepeso. Os dados, de 2024, são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, e acendem um alerta para o avanço da obesidade infantil no município.
Segundo o levantamento, aproximadamente 4,5 mil crianças nessa faixa etária convivem com obesidade na cidade.
Nesta quarta-feira (3), quando é celebrado o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Infantil, especialistas reforçam a necessidade de medidas preventivas dentro de casa, envolvendo alimentação equilibrada, redução do consumo de ultraprocessados e incentivo à prática de atividades físicas.
A nutricionista Mariana Gamino avalia que o aumento dos índices está relacionado a mudanças nos hábitos de vida das famílias.
— A prevenção começa dentro de casa. Os pais e responsáveis precisam estar atentos à qualidade da alimentação, ao excesso de produtos industrializados e também ao sedentarismo, que tem se tornado cada vez mais comum entre crianças e adolescentes — afirma.
Consequências para a saúde
A obesidade infantil é considerada uma doença crônica e pode trazer impactos que acompanham a criança até a vida adulta. Entre os principais riscos estão o desenvolvimento precoce de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações cardiovasculares, problemas ortopédicos e dificuldades relacionadas à saúde mental e à autoestima.

Além da alimentação adequada, a prática regular de exercícios físicos é apontada como uma das principais ferramentas para prevenir o ganho excessivo de peso.
— A atividade física contribui não apenas para o controle do peso, mas também para o desenvolvimento saudável da criança, melhorando a qualidade de vida e reduzindo riscos futuros — destaca a nutricionista.
Hábitos saudáveis dentro de casa
Na casa da nutricionista infantil Candida Soares Moreira a rotina familiar é organizada para estimular escolhas alimentares mais saudáveis.
Segundo ela, a variedade de alimentos faz parte do dia a dia da família, enquanto produtos ultraprocessados aparecem apenas ocasionalmente.
A gente se preocupa muito com a variedade alimentar e com a qualidade do que é consumido. Alguns alimentos considerados 'extras' aparecem de vez em quando, geralmente quando estamos fora de casa
CANDIDA SOARES MOREIRA
Nutricionista infantil
A filha dela, Manuela Moreira Degrandis, de oito anos, já incorporou os hábitos à rotina.
— Eu gosto de pão com ovo, banana, maçã e outras frutas. Refrigerante eu não tomo. Só água e suco — relata.
Outro cuidado adotado pela família é evitar o uso de celulares durante as refeições.
— Essas regras são importantes para que a gente coma com atenção. O celular acaba atrapalhando e pode levar ao consumo exagerado de alimentos — explica Cândida.
Prevenção é o melhor caminho
Especialistas destacam que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para combater a obesidade infantil.

Entre as orientações estão o incentivo ao consumo de frutas, verduras e legumes, a redução da oferta de alimentos ultraprocessados, a realização das refeições em família e a prática regular de atividades físicas.
A recomendação também inclui limitar o tempo de exposição a telas e estimular brincadeiras ao ar livre e atividades que promovam movimento no cotidiano das crianças.
Para os profissionais da área da saúde, pequenas mudanças nos hábitos familiares podem fazer diferença significativa na prevenção do excesso de peso e na construção de uma relação mais saudável com a alimentação desde a infância.
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