
Mais de 300 mulheres colocaram o Implanon via Sistema Único de Saúde (SUS) em Rio Grande durante o primeiro mês de oferta. O implante contraceptivo está disponível para pacientes entre 14 e 49 anos desde o dia 17 de março.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a busca pela aplicação é contínua. Para a enfermeira Angela Degani, 29 anos, a praticidade e a durabilidade foram determinantes para a mudança de método após 10 anos de uso de anticoncepcional oral.
— Resolvi mudar pela praticidade, pela longa duração e pela redução de hormônios no meu corpo também. Eu já tinha pesquisado sobre o Implanon há muito tempo, tinha vontade de por, mas era algo, financeiramente, pouco acessível. Então eu sempre acabava adiando essa vontade — explicou Angela.
Como funciona o acesso
As pacientes interessadas em utilizar o método devem procurar a Unidade de Saúde do seu bairro, onde poderão ser incluídas na lista de espera para agendamento das inserções. De acordo com a coordenadora do Programa de Saúde da Mulher da SMS, Maria Clara Collaço, a aplicação depende de critérios técnicos.
— A mulher procura a unidade de saúde, conversa com a enfermeira e, a partir disso, entra em uma lista. A gente vai organizando a agenda conforme a demanda e também priorizando casos em que o método é mais indicado — esclarece a coordenadora.
O município recebeu inicialmente cerca de 670 unidades do implante e mais da metade já foi utilizada. A previsão é de que novas remessas cheguem para manter o fluxo.
— A ideia é que seja um método acessível para toda a população. Estamos controlando a distribuição apenas por conta do quantitativo, mas temos previsão de receber mais unidades — afirma Maria Clara.
Espera e acompanhamento
Embora o agendamento seja realizado após a solicitação médica, algumas pacientes ainda aguardam o chamado. A pedagoga Milene Ávila preencheu os dados em uma ficha na Unidade Básica de Saúde (UBS) no dia 13 de abril e espera pelo retorno para o encaminhamento da aplicação. O número total de mulheres na fila não foi divulgado pela prefeitura.
Após a inserção, as pacientes passam por acompanhamento para avaliar a adaptação. A revisão ocorre, em geral, após um mês e novamente aos três meses. Todas as unidades de saúde estão aptas a atender as pacientes no pós-inserção, inclusive para a retirada do dispositivo, se necessário.
— O Implanon tem um período de adaptação. A gente monitora possíveis efeitos, como alterações no ciclo menstrual, e orienta que a paciente procure a unidade sempre que tiver dúvidas — detalha Maria Clara.
Eficácia e indicações médicas
O Implanon possui eficácia superior a 99% e garante proteção contra a gravidez por até três anos, sendo um dos métodos reversíveis mais seguros disponíveis. A ginecologista e obstetra Raíssa Londero Isoppo destaca que o principal diferencial está na baixa chance de falha.
— É um método de longa duração que não depende do uso diário, o que reduz muito a chance de erro. A taxa de falha é inferior a 0,1%, comparável à laqueadura, mas de forma totalmente reversível — explica a médica.
O dispositivo libera continuamente pequenas doses de hormônio que inibem a ovulação e dificultam a fecundação ao espessar o muco cervical. O método é indicado para diferentes perfis, incluindo adolescentes e mulheres no pós-parto, inclusive durante a amamentação. As contraindicações são restritas, abrangendo casos de doenças hepáticas graves, câncer de mama e sangramentos uterinos sem diagnóstico.
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