
A Santa Casa do Rio Grande passou a oferecer pelo SUS um procedimento que ajuda a reduzir a queda de cabelo causada pela quimioterapia, um dos efeitos colaterais mais marcantes do tratamento contra o câncer. A tecnologia, conhecida como crioterapia capilar, já existia em centros privados, mas é novidade no atendimento público do município.
O método utiliza uma touca especial que resfria o couro cabeludo para diminuir a ação dos medicamentos nos folículos capilares, preservando parte dos fios.
Como funciona o procedimento
A touca é colocada cerca de 30 minutos antes do início da quimioterapia. O resfriamento continua durante toda a aplicação e por um período após o término da medicação. O processo é repetido em cada sessão.
Segundo especialistas, a eficácia pode chegar a aproximadamente 70%, dependendo do protocolo utilizado.
— Essa crioterapia funciona evitando a queda do cabelo, outras não têm a mesma eficácia — explica o oncologista clínico Charlles David Gonçalves, que completa: — Funciona muito bem com protocolos que contêm taxanos e antracíclicos, comuns no tratamento de câncer de mama e outros tumores.
Primeira paciente já está na terceira sessão
A paciente Daniela Duarte Vieira foi a primeira a utilizar a técnica na instituição e já está na terceira aplicação. Para ela, a possibilidade de não perder totalmente o cabelo trouxe alívio diante do diagnóstico.
— Quando soube que faria quimioterapia, a primeira coisa que pensei foi no cabelo. Quando o médico disse que teria a crioterapia, foi um sonho. Cai bastante, mas não vou perder tudo — relata.
Ela descreve a sensação como um forte resfriamento, às vezes acompanhado de dor de cabeça, mas considera o desconforto suportável diante dos benefícios.
Impacto emocional vai além da estética
Para familiares, o procedimento representa mais do que aparência física. O marido da paciente, Marcelo Oliveira, afirma que a tecnologia traz esperança em um momento difícil.
— A gente sabe a importância do cabelo para a autoestima da mulher. Em um momento tão complicado, isso enche a gente de alegria e esperança — diz.
A responsável técnica da oncologia da instituição, Vitória Ávila de Souza, destaca que a preservação da autoestima pode influenciar diretamente no enfrentamento da doença.
— Quando as mulheres perdem o cabelo, isso abala emocionalmente. Manter o psicológico durante o tratamento é muito importante — afirma.

Tecnologia chega a pacientes 100% SUS
Somente neste ano, o setor de oncologia da Santa Casa já recebeu 66 mulheres que iniciarão quimioterapia, sendo 31 com diagnóstico de câncer de mama — um dos casos em que a técnica costuma apresentar melhor resposta.
Para pacientes que já enfrentaram a perda dos fios em tratamentos anteriores, a novidade representa uma mudança significativa. A paciente Claudia Maria Xavier Machado conta que, em uma quimioterapia passada, perdeu o cabelo e precisou usar peruca.
— Eu sou muito sensível ao tratamento. Agora assumi o cabelo curto, mas acho muito importante ter essa opção — afirma.
Cuidado também envolve quem trata
Dentro da oncologia, o cuidado é compartilhado entre equipe e pacientes. A técnica de Enfermagem Paula Piva da Silva, que também enfrentou dois cânceres de mama, relata que trabalhar durante o tratamento trouxe uma perspectiva única.
— Eu estava ali como paciente e profissional ao mesmo tempo. O que o paciente sentia, às vezes eu também sentia — conta.
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