
No Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta quarta-feira (4), histórias de luta, resistência e esperança ganham ainda mais significado. Uma delas é a da rio-grandina Noemi Moreira Martins, de 65 anos, que realizou a última sessão de quimioterapia justamente na data que busca mobilizar a sociedade para a conscientização, a prevenção e o acesso ao tratamento oncológico.
Noemi descobriu a doença em 2024, após perceber um nódulo na mama direita. Depois de passar por cirurgia em Caxias do Sul, ela deu continuidade ao tratamento oncológico na Santa Casa do Rio Grande, onde encerrou o ciclo de quimioterapia, em um momento simbólico de vitória e superação.
— Não vou te dizer que foi fácil, porque não foi. As reações da quimioterapia, a queda de cabelo… foi difícil. Mas tudo valeu a pena, porque eu estou aqui. Nem consegui dormir direito de noite, de tanta ansiedade para chegar hoje. Foi muita luta, mas valeu a pena — relatou, emocionada, durante a última sessão.
Desde 2024, Noemi realizava sessões de quimioterapia a cada 21 dias. O encerramento do tratamento foi aguardado com grande expectativa.
— Me sinto praticamente curada. Sou muito grata. É só gratidão, gratidão — afirmou.
Referência regional em oncologia
A trajetória de Noemi se cruza com a atuação do Serviço de Oncologia da Santa Casa do Rio Grande, referência no atendimento oncológico no sul do Estado.
Segundo o médico oncologista clínico e responsável pelo setor, Dr. Charlles David Gonçalves, somente em 2025 foram realizadas 11.504 consultas médicas, envolvendo todas as especialidades.
Desse total, cerca de 7.600 atendimentos foram feitos por oncologistas clínicos. O setor de onco-hematologia respondeu por aproximadamente 1.600 consultas, a radioterapia por 1.160, e os cirurgiões oncológicos atenderam cerca de 2.060 pacientes.
Ao longo do último ano, o hospital realizou 1.404 tratamentos sistêmicos, incluindo quimioterapia, hormonioterapia, terapia-alvo e imunoterapia, além de 302 procedimentos cirúrgicos e 207 tratamentos com radioterapia.
— A Santa Casa atende uma região de médio porte, que inclui o município do Rio Grande, o distrito do Cassino, além de São José do Norte, Santa Vitória do Palmar e Chuí, alcançando uma população aproximada de 300 mil habitantes — explica o médico.
Durante o tratamento, os pacientes recebem atendimento integrado e multidisciplinar, com equipes formadas por enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicóloga, fisioterapeuta, fonoaudióloga, assistente social, nutricionista e médicos especialistas. Cada caso é avaliado individualmente, de acordo com a complexidade e a condição clínica do paciente.
Na área da Nutrição, por exemplo, pacientes que necessitam de acompanhamento recebem avaliação especializada e, quando indicado, suplementação alimentar gratuita pelo SUS.
— O paciente é atendido inicialmente nas unidades básicas de saúde do seu município, onde são identificadas as suspeitas clínicas. A partir disso, por meio do Gercom, sistema utilizado pelo SUS no Estado, são encaminhadas as consultas especializadas. Nosso serviço oferece um tratamento multiprofissional e integral — detalha Dr. Charlles.
Nos últimos anos, o setor de oncologia passou por uma reformulação, com foco na humanização do atendimento e na ampliação da capacidade assistencial. A nova unidade é climatizada e conta com espaços de acolhimento, como a área de convivência e o Sino da Vitória, utilizado por pacientes que concluem o tratamento.
— Antes, tínhamos apenas uma sala pequena, com nove pontos de infusão. Hoje, são 23 pontos, sendo 21 poltronas e dois leitos, além de espaço para acompanhantes — relata o oncologista.
Equipamento ajuda a prevenir queda de cabelo
Recentemente, a Santa Casa passou a contar com toucas de crioterapia, equipamento utilizado para a prevenção da alopecia (perda de cabelo) durante a quimioterapia, fator que impacta diretamente a autoestima, especialmente das mulheres.

Desde a última semana, pacientes atendidas pelo hospital já começaram a utilizar a tecnologia.
— Sabemos o quanto a queda de cabelo é dolorosa. A autoestima diminui e muitas pacientes ficam mais fragilizadas emocionalmente. Com esse equipamento, conseguimos trabalhar essa questão, fortalecendo a confiança e ajudando no enfrentamento do tratamento. É uma modernização disponível pelo SUS — destaca Dr. Charlles.
Que as mulheres se previnam
NOEMI MARTINS
Mensagem de prevenção
Enfrentar o tratamento oncológico nem sempre é fácil. Ao olhar para trás, Noemi faz questão de deixar um recado, especialmente às mulheres, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
— Que as mulheres se previnam, façam o autoexame e procurem o médico para fazer a mamografia. Eu descobri a tempo. A cura existe. Eu sou prova disso — alerta.
Para o futuro, os planos são simples e cheios de significado: viver.
— Viver daqui pra frente. Pensar mais em mim. Tudo na vida é aprendizado — conclui Noemi Martins.
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