
Pelotas alcançou nesta terça-feira (9) um marco em saúde pública ao ser oficialmente reconhecida como "Cidade Angels" pela Angels Initiative, organização internacional dedicada ao combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC).
O título, entregue no auditório Dom Antônio Zattera, certifica que a cidade possui proteção integral contra a doença, sendo a terceira cidade Angels do Rio Grande do Sul, a primeira da região sul do estado e a 20ª no país.
O AVC é a principal causa de incapacidade no mundo e uma das maiores causas de morte. Para Paula Ogawa, líder do Angels no Brasil, a importância do reconhecimento está na garantia do atendimento adequado e ultrarrápido, essencial por se tratar de uma doença tempo-dependente.
A placa de Cidade Angels representa uma conquista coletiva que envolveu todos os setores da saúde. O Dr. Diógenes Zan, neurologista, criador do serviço de TeleAVC e líder do projeto no Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), resumiu o significado.
— A placa representa uma cidade segura para pacientes vítimas de AVC. Uma cidade que tem prevenção, campanhas de saúde pública, projetos nas escolas, pré-hospitalar treinado, SAMU capacitado. E um hospital referência no atendimento ao AVC, com indicadores de performance assistencial de alto nível, que culminam na certificação dos três pilares — explicou.

A certificação do HUSFP atingiu a classificação máxima internacional: Angels Diamond.
Segundo Dr. Diógenes Zan, a jornada começou em 2024, com a habilitação do HUSFP como Centro de Referência em AVC pelo Ministério da Saúde — o primeiro do sul do Estado.
Para garantir assistência 24 horas, o serviço de TeleAVC — que hoje opera em 17 hospitais e já impactou mais de 2 mil vidas — foi essencial, oferecendo apoio especializado durante madrugadas e finais de semana.
O neurologista ressaltou a urgência do AVC, que é a principal causa de morte e incapacidade no Rio Grande do Sul:
— Uma vítima de AVC por ano custa R$ 134 mil. É caro. E quem mais paga, e paga muito caro, é a família — lamenta.
Cada minuto importa
A evolução assistencial em Pelotas significa que o hospital oferece tratamento capaz de destruir o coágulo, mas o tempo é inimigo do paciente.
— Cada minuto perdido equivale a quase 2 milhões de neurônios sem tratamento. Mesmo com o limite de 4 horas e meia para realizar o procedimento, cada minuto perdido aumenta a incapacidade do paciente — explica.
São Chico em festa
Para Caio Lopes, diretor do HUSFP, o momento é de celebração para a instituição de ensino, que atende mais de 80% dos pacientes pelo SUS.
— Entregar para a cidade de Pelotas, junto com o SAMU, o título de Cidade Angels — disse, reforçando a parceria com a Secretaria de Saúde e a Prefeitura.
O foco em conscientizar crianças, por meio do Projeto Fast Heroes, é estratégico: o conhecimento sobre sinais de AVC e prevenção pode reduzir o risco da doença em até 90%.



