
O Dia Mundial da Psoríase, celebrado em 29 de outubro, chama a atenção para uma doença crônica da pele que atinge cerca de cinco milhões de brasileiros e é caracterizada por manchas avermelhadas e escamações. A condição, que não tem cura, mas tem tratamento, é acompanhada de um desgaste físico e emocional dos pacientes.
Em Pelotas, a Universidade Católica de Pelotas (UCPel) oferece alívio aos pacientes com o único ambulatório especializado na metade sul do Estado voltado para o tratamento da psoríase e doenças cutâneas graves.
Doença carregada de preconceito
A psoríase é uma doença inflamatória crônica e não contagiosa, mas carregada de estigma social. A cabeleireira Ângela Boanova Martins tem a condição desde a infância e convive com o preconceito.
— Dói na alma quando as pessoas olham pra ti. E eu tendo sempre que me esconder com manga comprida, pra não mostrar. Porque as pessoas acham que contamina elas, como se tivesse uma doença contagiosa — afirma.
Em muitos casos, a doença pode ser agravada por fatores emocionais.
— Há três anos e nove meses que a minha mãe faleceu e eu entrei em depressão e aí as minhas feridas começaram a aumentar, antes era só na cabeça e atrás da orelha e aí começou a invadir para todo o meu corpo, desde os meus pés até os braços e as costas — relata Ângela.
A dermatologista e professora da UCPel Joice Göebel explica que fatores emocionais, infecções ou a exposição a alguns medicamentos podem ser gatilhos para o aparecimento da doença.
— Geralmente o paciente vai ter uma predisposição genética à doença, em algum momento da vida é como se fosse um copinho que aos pouquinhos vai transbordando até a doença se manifestar — explica.
Ambulatório oferece tratamento
O Ambulatório do Hospital Universitário da UCPel se tornou uma referência para o atendimento dos pacientes. Em pouco mais de um ano de atendimentos, mais de 300 pacientes já passaram pelo local.
A dermatologista explica que o local oferece desde tratamentos com pomadas até imunobiológicos.
— O grande diferencial é que com esse tratamento a gente consegue, hoje em dia, devolver qualidade de vida aos pacientes. A gente tem uma estimativa de melhora de 90 a 100% do quadro, com os tratamentos mais modernos e que podem ser totalmente gratuitos — afirma.
Com o tratamento, a operadora de caixa Simone Marques teve melhoras significativas nos sintomas.
— A pele engrossava bastante e dificultava pra poder caminhar. Na realidade, eu tinha até medo de tomar um banho, o medo de que a água batesse nos meus pés, no meu corpo — relata.
Diagnóstico precoce facilita o tratamento
Segundo o dermatologista Ralph Rosa, um passo importante para o atendimento aos pacientes é a conscientização e a informação para que os médicos possam fazer um diagnóstico precoce.
— A gente está fazendo um treinamento anual com esses médicos para que eles reconheçam [a doença] precocemente, saibam tratar, porque muitos pacientes podem ser tratados nas UBSs, mas quando o paciente precisa de tratamento mais avançado ou tenha a doença mais grave, já encaminhe para a gente o quanto antes.
O Ambulatório da UCPel fica no Campus Saúde, na Avenida Fernando Osório nº 1.586. O atendimento é feito a partir de encaminhamento nas Unidades Básicas de Saúde do município.

