
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) realizou nesta segunda-feira (31), em Rio Grande, um ato para discutir estratégias de redução da abstenção nas eleições de outubro. A atividade integra uma caravana que percorre municípios gaúchos com elevados índices de eleitores que deixaram de comparecer às urnas no último pleito.
O encontro contou com a presença da presidente do TRE-RS, desembargadora Maria de Lourdes Galvão Braccini de Gonzalez, além de representantes da Justiça Eleitoral e lideranças locais. Durante a agenda, foram debatidas medidas de conscientização sobre a importância da participação popular e formas de estimular o comparecimento dos cidadãos.
Nas últimas eleições, 30,7% dos eleitores de Rio Grande não compareceram às urnas. O índice levou o município a integrar o roteiro da mobilização promovida pelo tribunal.
Segundo a presidente do TRE-RS, o número vai além das estatísticas e evidencia a necessidade de ampliar o engajamento da população no processo democrático.
— Não se trata apenas de um dado estatístico. Cada eleitor que deixa de votar é uma voz que deixa de ser ouvida. É uma oportunidade perdida de influenciar os rumos da cidade, do Estado, do país — afirmou a desembargadora.
Maria de Lourdes destacou que a iniciativa busca aproximar a Justiça Eleitoral das comunidades e fortalecer o diálogo com autoridades locais e moradores.
— Nem todos sabem como chegar até nós. Nós indo fica mais fácil do que esperar. Os juízes de lá notaram que o volume de abstenções foi muito alto, mas não sabiam o que fazer. Nós indo, conversando, chamando as autoridades, estimula todo mundo a se engajar pelo mesmo objetivo — explicou.
Faixas etárias concentram maior número de ausências
De acordo com a presidente do TRE-RS, os dados disponíveis permitem identificar segmentos com maior incidência de não comparecimento, embora não apontem as razões individuais que levam cada pessoa a deixar de participar da votação.
Entre os grupos com maior número de faltantes estão jovens cujo voto ainda não é obrigatório e pessoas com mais de 70 anos, faixa etária para a qual o comparecimento também é facultativo.
A Justiça Eleitoral, entretanto, não dispõe de informações que permitam identificar os motivos das ausências.
— A motivação não tem como saber. Nós não temos como saber. Cada pessoa tem seus próprios motivos. Nós podemos fazer presunções, mas não dizer por que estão se abstendo — afirmou a magistrada.
A desembargadora também reforçou a importância do envolvimento da sociedade para o fortalecimento das instituições democráticas.
— A democracia não se faz sozinha. Nós, eleitores, nós, cidadãos, é que fazemos a democracia. E fazemos como? Indo lá, votando e elegendo nossos representantes — disse.
Roteiro passa por municípios gaúchos
O Ato Institucional de Incentivo ao Voto e Combate à Abstenção é uma iniciativa liderada pela presidência do TRE-RS e está em andamento desde julho. A proposta é visitar localidades com índices elevados de não comparecimento e, em conjunto com gestores e demais lideranças, desenvolver estratégias para ampliar a presença do eleitorado no próximo pleito.
Além do incentivo à participação, a ação também prevê iniciativas de combate à desinformação.
Em Rio Grande, participaram da atividade o juiz da 37ª Zona Eleitoral, Cleber Pires; o chefe do cartório da 37ª Zona Eleitoral, Alex de Oliveira; o juiz da 163ª Zona Eleitoral, Régis Conrado; e o chefe do cartório eleitoral, Giovane Brandão, além de representantes da administração do TRE-RS.
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