
O presidente da Câmara dos Vereadores de Pelotas, Michel Escalante, conhecido como Michel Promove (PP), é alvo de uma operação do Ministério Público (MP/RS) na manhã desta sexta-feira (14). Além dele, são investigados os vereadores Cesar Brisolara, conhecido como Cesinha (PSB), e Cauê Fuhro Souto (Podemos).
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP, com apoio da Brigada Militar, cumpriu 33 mandados de busca e apreensão contra 20 alvos em Pelotas e Capão do Leão. Ordens judiciais foram executadas na própria Câmara no âmbito da Operação Expurgo, incluindo em gabinetes de parlamentares e postos de trabalho dos investigados.
Conforme o MP, são investigados crimes de peculato, lavagem e desvio de dinheiro, assim como infiltração de organizações criminosas na Casa. Há suspeita de prática de rachadinha, quando agentes públicos exigem parte dos salários de servidores em cargo de comissão indicados por eles.
— Há duas situações graves em apuração e ambas atingem o cidadão comum. A primeira recai sobre quem foi nomeado para servir ao público e foi obrigado a devolver parte do próprio salário como condição para manter o emprego. A segunda é mais grave: cargos criados para atender à população foram ocupados por pessoas ligadas ao crime organizado, que assim recebiam recursos públicos e ganhavam aparência de vida regular — afirma o promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas.
Durante as diligências, foram apreendidos R$ 96 mil com dois vereadores e um assessor parlamentar. Além disso, foram recolhidos documentos e mídias eletrônicas que devem contribuir na apuração dos fatos.
O MPRS informou que a investigação teve origem em denúncias de um ex-secretário municipal e de dois servidores da Câmara. Documentos, provas digitais e dados financeiros obtidos via autorização judicial comprovam os relatos, de acordo com o Gaeco.
A Câmara de Vereadores de Pelotas, por meio do procurador jurídico Luiz Cavalheiro, informou que a mesa diretora se reuniria e, posteriormente, se pronunciaria por nota sobre a investigação. (Leia abaixo)
Michel Promove fez uma publicação em suas redes sociais em que diz que é do interesse dele tirar dúvidas e que os documentos da Casa são públicos. "A Câmara está à disposição das autoridades e seguirá colaborando para que a investigação avance", escreveu.
O vereador Cauê Fuhro Souto também emitiu uma nota oficial, assim como Cesar Brisolara. (Confira ambas, abaixo).
Quem são os alvos?
- Três vereadores: Michel Promove (PP), Cesar Brisolara (PSB) e Cauê Fuhro Souto (Podemos)
- Um chefe de gabinete parlamentar
- Cinco assessores parlamentares e servidores comissionados
- Três guardas municipais
- Um ex-assessor comissionado
- Seis particulares (empresários, familiares e interpostas pessoas)
Nota da Câmara de Vereadores
"A Câmara Municipal dos Vereadores de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, torna público que no dia 14 de agosto de 2026 recebeu mandado de busca e apreensão exarado do Poder Judiciário Estadual.
Os senhores Promotores de Justiça que coordenaram as atividades contaram com a colaboração da Presidência da Casa Legislativa, e dos servidores que atuam no Poder Legislativo Municipal.
A Câmara expressa sua tranquilidade frente aos fatos se colocando, por seu Presidente, e sua Mesa Diretora, a inteira disposição das autoridades que integram os demais Poderes da República, na certeza de que os Princípios Constitucionais que regem a Administração Pública, insculpidos no artigo 37 da Carta Maior, são e sempre serão homenageados.
Gabinete da Presidência da Câmara Municipal de Pelotas.
Estado do Rio Grande do Sul
Pelotas, RS, 14 de agosto de 2026
Michel Ferreira Escalante
Presidente"
Nota do vereador Cauê Fuhro Souto na íntegra
"Diante dos fatos divulgados nesta sexta-feira, venho a público esclarecer que estou com a consciência absolutamente tranquila e que não tenho qualquer envolvimento com os fatos que estão sendo investigados.
Sempre pautei minha atuação pública pela seriedade, transparência e defesa dos interesses da população de Pelotas. Tenho uma postura firme, fiscalizadora e independente, muitas vezes batendo de frente com o sistema e contrariando interesses, e não será este episódio que fará com que eu recue ou deixe de cumprir o papel para o qual fui eleito.
Estou inteiramente à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com qualquer investigação. Não tenho nada a esconder e tenho total interesse de que os fatos sejam esclarecidos com responsabilidade, transparência e respeito à verdade.
Recebo toda essa situação com tranquilidade e confiança. Quem conhece a minha trajetória sabe da forma como conduzo meu trabalho e dos princípios que norteiam minha vida pública.
Seguirei trabalhando, fiscalizando e defendendo aquilo em que acredito, com a mesma firmeza de sempre.
Cauê Fuhro Souto"
Nota do vereador Cesar Brisolara
"Fui surpreendido, hoje, por um mandado de busca e apreensão em minha residência e em meus gabinetes. Colaborei integralmente com o cumprimento da medida.
O Ministério Público não individualiza condutas e nem aponta qual fato específico é atribuído a cada investigado. Até este momento não houve espaço para minha manifestação.
Afirmo que jamais pratiquei qualquer irregularidade no exercício do meu mandato, ou fora dele.
Reafirmo minha confiança na Justiça e espero que a apuração avance com a agilidade que a situação exige, para que fatos concretos substituam especulações."



