
A apresentação do pacote de mais de R$ 200 milhões em investimentos para mobilidade urbana foi marcada por um diagnóstico do prefeito Fernando Marroni sobre a infraestrutura viária de Pelotas.
Ao defender os projetos que serão encaminhados à Câmara de Vereadores, o chefe do Executivo afirmou que o município precisa recuperar um atraso histórico na área.
— Pelotas tem cerca de 400 quilômetros de ruas sem pavimentação. É uma cidade que parou no século passado. Precisávamos estabelecer prioridades, e a principal delas é melhorar a mobilidade para quem utiliza o transporte coletivo e mora nos bairros — afirmou.
Segundo Marroni, a elaboração dos projetos começou ainda em 2025, quando o governo federal abriu o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para receber propostas dos municípios.
— O único projeto que a prefeitura já tinha era um anteprojeto do viaduto da Fernando Osório. Todos os demais precisaram ser elaborados pela nossa equipe para concorrer aos recursos do PAC — disse.
Caminho do Ônibus foi prioridade
O secretário municipal de Gestão da Cidade e Mobilidade, Otávio Peres, explicou que o primeiro eixo do pacote é o Caminho do Ônibus, que prevê R$ 55 milhões em investimentos para qualificar 12,5 quilômetros de vias utilizadas pelo transporte coletivo em dez regiões da cidade.
Segundo ele, o projeto vai além da pavimentação.
— A ideia é qualificar o trajeto do ônibus, mas também construir calçadas e travessias seguras para que quem mora a 100 ou 150 metros da parada consiga chegar ao transporte coletivo com mais segurança e acessibilidade — explicou.
De acordo com Peres, aproximadamente metade dos recursos será destinada à pavimentação, enquanto uma parcela significativa será aplicada em obras de drenagem e implantação da rede de esgoto.
Viaduto terá projeto atualizado
Outro destaque do pacote é a construção do viaduto no cruzamento das avenidas Fernando Osório, 25 de Julho e Salgado Filho.
Segundo Peres, o município aproveitou um anteprojeto elaborado em 2016, mas promoveu adequações técnicas antes de submetê-lo ao governo federal.
— O projeto foi atualizado técnica e orçamentariamente. Também estamos estudando pequenos ajustes, como um rebaixamento na 25 de Julho, para reduzir a altura necessária da estrutura e melhorar a integração com o entorno — afirmou.
A estrutura terá cerca de 175 metros de extensão, quatro faixas de rolamento e deverá eliminar um dos principais gargalos viários da Zona Norte.
Ônibus elétricos poderão reduzir custos

Além das obras viárias, o pacote prevê a compra de 15 ônibus elétricos e seis carregadores, financiados por meio de linha específica do PAC.
Segundo Marroni, os veículos passarão a integrar a frota do transporte coletivo e deverão contribuir para reduzir parte dos custos considerados no cálculo da tarifa.
— Na próxima revisão tarifária, será possível retirar do cálculo parte do custo da renovação da frota e também do combustível. Isso tende a produzir um impacto positivo no sistema — afirmou.
A prefeitura também estuda implantar uma usina de geração de energia solar para abastecer prédios públicos e, futuramente, auxiliar no fornecimento de energia para os novos ônibus elétricos.
Obras dependem da Câmara
Antes do início das licitações, os financiamentos precisam ser autorizados pela Câmara de Vereadores. Marroni disse esperar apoio dos parlamentares.
— Não é uma relação entre Executivo e Legislativo. Estamos falando de projetos importantes para a cidade. Vamos apresentar toda a capacidade financeira do município e esperamos que a Câmara compreenda a importância desses investimentos — afirmou.
Caso os financiamentos sejam aprovados, a expectativa da prefeitura é publicar os editais de licitação em cerca de 40 a 50 dias. Segundo o prefeito, se o processo ocorrer dentro do cronograma previsto, há possibilidade de as principais obras serem concluídas ainda durante a atual gestão.
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