Frutas, pães com queijo, preparações caseiras e água estão entre as opções que podem fazer parte da lancheira dos estudantes. Mas a necessidade de levar comida de casa muda conforme a etapa escolar: nas escolas municipais de Educação Infantil, por exemplo, os alunos recebem a alimentação exclusivamente da escola. Já no Ensino Fundamental, podem levar um lanche preparado pela família.
A orientação da equipe de nutrição da rede municipal de Rio Grande é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar produtos com excesso de açúcar, sódio e gorduras, como refrigerantes, bolachas recheadas, salgadinhos e chips.

— Nas escolas de Ensino Fundamental, a gente não consegue proibir. Então nós orientamos que não leve alimentos multiprocessados, tipo refrigerante, bolachinha recheada, chips, coisas que são ricas em sódio, ricas em gordura trans — afirma a nutricionista Flávia Scatolin.
A recomendação faz parte de uma política de alimentação escolar que também envolve educação nutricional. Em Rio Grande, a rede municipal atende cerca de 19 mil estudantes em 80 escolas e três centros de atendimento especializado.
O que colocar na lancheira?
Para a nutricionista, mais do que escolher um alimento específico, o importante é buscar variedade e priorizar opções próximas da forma natural.
Entre as possibilidades para o recreio estão:
- Frutas: banana, maçã, bergamota, mamão, laranja, melão, morango ou manga;
- Preparações caseiras: bolos simples, preferencialmente com menor quantidade de açúcar;
- Pães: acompanhados de queijo ou outros recheios;
- Bebidas: água ou sucos naturais, quando houver condições adequadas de armazenamento;
- Outras opções: alimentos in natura ou minimamente processados que sejam compatíveis com a idade da criança e a rotina escolar.
A recomendação é que o lanche seja adequado à idade da criança e à rotina da escola. Na Educação Infantil municipal, porém, a família não precisa enviar alimentos.
— Como eles têm essa alimentação, pelo menos duas ou três refeições na escola, a gente conseguiu que não enviem nada — explica Flávia.
O que muda em cada etapa?
A alimentação oferecida pela rede varia conforme a idade dos estudantes e o tempo de permanência na escola.
Nas escolas de Ensino Fundamental em turno parcial, os estudantes recebem uma refeição, correspondente a cerca de 20% das necessidades nutricionais diárias.
Na Educação Infantil em turno parcial, são duas refeições, que representam aproximadamente 30%.

Já nas unidades de turno integral, são oferecidas três refeições, equivalentes a cerca de 70% das necessidades nutricionais do dia.
Roselaine Arvelas trabalha na cozinha da Escola de Educação Infantil Prof.ª Nilza Alves Gonçalves e acompanha diariamente a preparação das refeições. Segundo ela, as crianças recebem frutas, almoço e outras preparações ao longo do dia.
No Ensino Fundamental, além da alimentação fornecida pela escola, o estudante pode levar um lanche de casa. É justamente nessa etapa que as escolhas da família passam a ter um peso maior na rotina alimentar.
Na adolescência, a autonomia sobre o que comer aumenta. O estudante passa a fazer mais escolhas sozinho e pode ter maior acesso a alimentos comprados fora da escola.
Por isso, a orientação continua sendo priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de produtos com excesso de açúcar, sódio e gorduras.
O que a escola oferece?
A alimentação escolar de Rio Grande é planejada de acordo com a idade dos alunos, o tempo de permanência na escola e as necessidades nutricionais de cada faixa etária.
A rede destina cerca de R$ 3,6 milhões por ano de recursos próprios para a alimentação escolar e recebe outros R$ 3,627 milhões do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Segundo a Secretaria de Educação, 85% dos alimentos adquiridos pelo Núcleo de Alimentação Escolar são in natura ou minimamente processados, 10% são processados e 5% correspondem a ingredientes culinários.
— Verduras, legumes, hortaliças, todos os dias a gente consegue oferecer, e fruta todos os dias para todas as escolas. A gente consegue oferecer todos os dias salada — afirma Flávia.
Na alimentação escolar da rede municipal, não são oferecidos itens como refrigerantes, bebidas energéticas, sucos em pó, salgados fritos, preparações com salsicha, presunto, calabresa e bacon, além de chocolates, balas, chicletes, pirulitos e outras guloseimas.
A intenção é reduzir a presença de produtos com baixo valor nutricional e ampliar o contato dos estudantes com alimentos variados.
Como a escola ajuda a formar hábitos
A alimentação também é trabalhada como parte da formação dos estudantes. Em Rio Grande, o Núcleo de Alimentação Escolar (NAE) realiza atividades como o NAE na Sala de Aula e a Ciranda Nutricional, além de ações junto aos projetos pedagógicos.
Entre os temas trabalhados estão o incentivo ao consumo de frutas e verduras, a experimentação de novos alimentos, a origem dos alimentos e a redução do desperdício.
Nas cozinhas, a aceitação dos alimentos nem sempre é imediata. Eliane Soares, que trabalha há 16 anos na preparação da merenda escolar na Escola de Ensino Fundamental Rui Poester Peixoto, conta que algumas preparações fazem mais sucesso do que outras.
— O dia da massa é a sensação (...). Toda comida que é oferecida tem que ser incentivada para eles ao menos provarem, para ver se vão gostar ou não — explica.
E quando há restrição alimentar?
A alimentação escolar também pode ser adaptada para estudantes com necessidades alimentares específicas, como intolerância à lactose, alergia à proteína do leite de vaca, intolerância ao glúten, diabetes e alergia ao ovo.
Segundo a Secretaria de Educação, as adaptações são realizadas mediante apresentação de laudo médico com CID.
— Nós recebemos formações de como lidar em situações que há restrições alimentares. Nesses casos, recebemos um laudo e devemos preparar o alimento daquele aluno de forma separada, para que ele consiga se alimentar junto com os colegas — comenta Tatiane Lopes, merendeira da rede municipal.
Alimentação também é prevenção
Para quem trabalha diretamente nas cozinhas, a alimentação escolar também tem um significado que ultrapassa o cardápio.
Flávia relata que a equipe percebe mudanças nos hábitos alimentares dos estudantes depois que eles passam a experimentar.
— A gente está conseguindo ver inclusive crianças que não comiam determinadas coisas, que aprenderam a comer na escola, que levaram para casa e agora pedem para os pais — afirma a nutricionista.
Para ela, a alimentação escolar pode ser também uma forma de prevenção e educação.
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