
Motoristas e auxiliares do transporte de carga fracionada de Pelotas estão de greve desde as 5h desta quarta-feira (19). A paralisação, aprovada após rejeição de propostas da classe patronal, inicialmente afeta sete empresas e reúne cerca de 1,2 mil trabalhadores em atos de protesto na frente das sedes operacionais.
A categoria reivindica a reposição da inflação medida pelo INPC (4,11%) acrescida de 2% de ganho real — totalizando 6,11% —, com pagamentos retroativos. Os trabalhadores cobram também reajustes nos auxílios para refeição diária, solicitando acréscimo de R$ 10 no almoço, R$ 10 no jantar e R$ 5 no café da manhã.
— Essa greve está acontecendo até porque nós tivemos várias tentativas com a classe patronal tentando atingir um número X de aumento salarial, uma valorização em cima do vale alimentação. Isso não aconteceu – afirma Claudiomiro Amaral, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Pelotas e Região (STTRP).
Impasse e divergências nos impactos
A última contraproposta patronal apresentava a aplicação do INPC (4,11%) somada a 1% de ganho real antecipado para outubro de 2026.
Segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas do Extremo Sul (Setcesul), Rudimar Puccinelly, a entidade buscou mediação no Ministério Público do Trabalho (MPT), em Porto Alegre, mas alega que os trabalhadores trouxeram novas exigências à mesa de negociação, como a concessão de cesta básica.
— Nós estamos abertos ao diálogo com eles, e eles que não querem, parece que eles querem greve. Só que eles não sabem que estão afetando a população — declara Puccinelly, alertando para potenciais desabastecimentos.
O representante dos trabalhadores minimiza o risco imediato à população. Segundo Amaral, a paralisação foca no setor de carga geral e fracionada, abrangendo materiais de higiene e eletrodomésticos, destacando que os mercados estão cheios. As negociações seguem sem previsão de desfecho.






