A cheia do Rio Santa Maria mantém famílias fora de casa em Dom Pedrito, na Região da Campanha. Nesta quinta-feira (20), são três famílias desabrigadas e outras três, desalojadas em razão dos alagamentos. Ao todo, 12 pessoas estão acolhidas no Parque de Exposições.
O coordenador do Departamento Municipal de Defesa Civil, Júnior Rodrigues Martins, afirma que o número de desalojados pode ser maior, já que parte dos moradores deixa as próprias casas sem solicitar atendimento ao município.
— Duas famílias solicitaram esse atendimento à Defesa Civil e foram para a casa de parentes, porém a gente não consegue mensurar o número real de pessoas que estão desalojadas porque elas acabam saindo sem nos comunicar — avalia.
Além das três famílias que já estavam no abrigo, a Defesa Civil realizou, nesta quinta-feira, o resgate de mais uma família. Ainda não há definição sobre a necessidade de encaminhamento ao Parque de Exposições ou se os moradores ficarão na casa de parentes.
Rio apresenta elevação menor

O nível do Rio Santa Maria atingiu 11,32 metros nesta quinta-feira (20). Conforme os dados da Defesa Civil, entre 11h30min de quarta-feira (19) e a atualização de hoje, houve uma pequena elevação. A cota de inundação é de 11 metros.
Na quarta-feira, o maior nível registrado foi de 12m72cm, às 17h. À 1h de hoje, estava em 12m32cm. Apesar dos alagamentos, a Defesa Civil trabalha com a expectativa de estabilização e posterior recuo das águas.
— Não temos mais previsão de chuvas, então isso é super importante para que a gente possa manter a situação pelo menos estabilizada no município — explica o coordenador.
"A situação é triste": moradores relatam impactos da cheia
Entre os moradores atingidos está o auxiliar de padeiro Alexsander Alves Vargas. A água entrou na casa onde ele mora e atingiu móveis. A elevação, conforme seu relato, ocorreu rapidamente durante a madrugada de terça-feira (18).

— Foi muito rápido. Subiu na terça-feira de madrugada, umas duas, três horas da manhã, mais ou menos. Ela (água) sempre entra pelos fundos, nunca pela frente. Quando fomos ver, já estava tudo molhado, já tinha entrado água — conta.
Alesxander menciona que conseguiu retirar a geladeira e o freezer antes que fossem atingidos. Outros móveis, porém, acabaram molhados ou precisaram ser elevados dentro da residência.
— Molhou a cômoda, a pia, um balcão e um guarda-roupa também. Molhou a maioria das coisas. Só consegui tirar a geladeira e o freezer. O resto nós levantamos — afirma.
Município vai decretar emergência

Na noite de quarta-feira (19), a prefeitura iniciou o levantamento dos estragos provocados pela chuva para contabilizar os danos.
Conforme a prefeitura, o decreto de emergência será publicado até o final desta quinta-feira (20).
De acordo com a Defesa Civil, há ruas intransitáveis, estradas e acessos comprometidos, problemas no fornecimento de energia elétrica no interior e impactos nas aulas da zona rural. Os danos também atingem pontes e bueiros.
— Nós temos situações muito complicadas aqui na cidade, ruas intransitáveis, estradas e acessos completamente comprometidos, energia elétrica comprometida no interior do município e aulas na zona rural comprometidas — comenta Júnior Rodrigues Martins.
Campanha gaúcha em alerta
Na Campanha, o dia começou sob alerta para tempestades devido à passagem de um ciclone extratropical pelo Estado.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a região pode registrar entre 10 e 50 milímetros de chuva, com acumulados de até 80 milímetros em alguns pontos, além de temporais, rajadas de vento e possibilidade de granizo. O dia também marca o retorno do frio, que deve se intensificar e atingir o pico na sexta-feira (21).
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