
A duplicação de aproximadamente 13 quilômetros da Avenida Roberto Socoowski, em Rio Grande, ainda não tem data para começar, embora a prefeitura trabalhe com 2027 como estimativa para o início das obras. Antes disso, o projeto precisa ser validado pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), passar por audiência pública e avançar para a licitação.
A obra, conhecida como Rota do Parque, foi inicialmente orçada em R$ 70 milhões e integra o programa Rio Grande 2030, financiado em parte pela AFD. O projeto passou por alterações solicitadas pela agência e, segundo a instituição, a prefeitura encaminhou há cerca de duas semanas a versão revisada dos estudos técnicos, que agora está em análise.
A primeira documentação havia sido enviada pelo município no final de 2025. Em abril deste ano, durante uma missão de supervisão em Rio Grande, técnicos da AFD solicitaram novos ajustes no projeto.
Entre as principais mudanças estão alterações no trecho da Rua José Bonifácio e a ampliação das estruturas destinadas à mobilidade ativa, com medidas voltadas principalmente a pedestres e ciclistas.
— Estes estão agora em análise pela AFD para validação antes do início da execução do projeto — informa a agência, em nota.
Enquanto essa etapa não for concluída, ainda não há previsão para a publicação do edital de licitação. A prefeitura trabalha com 2027 como estimativa para o início das obras, mas não há data definida para a contratação da empresa responsável.
Conforme a administração municipal, além das adequações de acessibilidade, o projeto passou a incorporar estudos nas áreas social e ambiental e processos de escuta da comunidade.
Projeto ganhou calçadas em todo o percurso
Uma das principais mudanças é a inclusão de calçadas em toda a extensão da Rota do Parque, estrutura que não fazia parte da proposta original.
Além disso, também foram revistos equipamentos, faixas de pedestres e outros elementos relacionados à mobilidade.
Segundo a AFD, as alterações foram solicitadas durante a missão anual de supervisão realizada em abril, quando técnicos da instituição avaliaram o andamento dos projetos que integram o Rio Grande 2030.
— Fizemos vários pedidos de modificações e melhorias no projeto, nomeadamente no trecho da José Bonifácio e no aumento da mobilidade ativa ao longo de todo o percurso da Rota do Parque — informa a agência.
Um dos pontos que exigiu maior revisão fica justamente na Rua José Bonifácio, onde o percurso passa por um trecho mais estreito. Foram solicitados estudos para comprovar a funcionalidade da solução prevista para o local.
Segundo a prefeitura, a passagem planejada inicialmente também não recebeu aprovação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae).
Com isso, foi definido um desvio pelas ruas Buarque de Macedo e Rheingantz, acompanhado de mudanças previstas no trânsito da região.
Obra será executada de uma vez
A previsão é de que os quase 13 quilômetros da Rota do Parque sejam executados integralmente, sem divisão da obra em etapas.
Antes de as máquinas começarem a trabalhar, no entanto, ainda há uma sequência de procedimentos a cumprir.
Além da validação atualmente feita pela AFD, as alterações no percurso deverão ser apresentadas à população em audiência pública. Até o momento, não há data divulgada para a realização do encontro.
Depois da análise dos estudos técnicos, o município ainda precisará avançar com a licitação e cumprir as demais exigências previstas no financiamento antes do início da execução.
Custo da obra aumentou, mas novo valor não foi divulgado
As alterações feitas no projeto também elevaram o custo da Rota do Parque. O orçamento inicial era de R$ 70 milhões, mas a prefeitura confirma que a estimativa foi revista, principalmente após a inclusão de calçadas ao longo de todo o percurso.
O novo valor, porém, ainda não foi divulgado. Segundo a administração municipal, a AFD não autorizou a publicação da estimativa atualizada.
Rota do Parque faz parte do Rio Grande 2030
A obra integra o programa Rio Grande 2030, que reúne intervenções previstas para serem executadas entre 2024 e 2029.
Segundo a AFD, o programa soma o equivalente a 73,2 milhões de euros. Desse total, 58,59 milhões de euros são financiados por empréstimo da Agência Francesa de Desenvolvimento.
O pacote inclui obras de drenagem, ampliação de áreas verdes, melhorias no sistema de transporte público, novas ciclovias e calçadas, além da Rota do Parque.
A agência também informa ter financiado, por meio de subvenção, estudos de pré-viabilidade utilizados para complementar projetos técnicos elaborados pelo município.
Os recursos não são liberados integralmente de uma só vez. O repasse ocorre conforme o avanço e a aprovação dos projetos que integram o programa.
No caso da Rota do Parque, a validação dos estudos revisados é uma das etapas necessárias para que a obra avance para os próximos procedimentos.
Confira a nota da Agência Francesa de Desenvolvimento na íntegra
"O projeto Rota do Parque insere-se no âmbito mais amplo do programa Rio Grande 2030, financiado em parte por um empréstimo da Agência Francesa de Desenvolvimento ao município do Rio Grande. Este programa, cuja execução está prevista para 5 anos (2024-2029), incide num montante total equivalente a 73,2 milhões de euros, dos quais 58,59 milhões financiados pelo empréstimo da AFD. Prevê importantes intervenções urbanas na cidade, como obras de drenagem, ampliação de espaços verdes e novos equipamentos que facilitem a mobilidade na cidade: melhoria do sistema de transportes públicos, novas ciclovias e calçadas, além do projeto Rota do Parque.
Desde o início da preparação do programa, a parceria entre a AFD e o município tem sido essencial para a elaboração de estudos e projetos técnicos de qualidade, seguindo padrões e parâmetros internacionais, tanto técnicos como sociais e ambientais. Neste contexto, a agência financiou, por meio de subvenção, estudos de pré-viabilidade que permitiram complementar os estudos e projetos já desenvolvidos pela prefeitura, como, por exemplo, o projeto Rota do Parque, desenvolvido pelas equipes do Rio Grande.
De acordo com as nossas regras de financiamento, a execução do programa e dos projetos técnicos é acompanhada pela AFD em parceria com o município. Em abril de 2026, a AFD realizou uma missão anual de supervisão no Rio Grande, e pôde examinar o progresso de todos os projetos que compõem o programa Rio Grande 2030, incluindo a Rota do Parque. Nessa ocasião, fizemos vários pedidos de modificações e melhorias no projeto, nomeadamente no trecho da José Bonifácio e no aumento da mobilidade ativa ao longo de todo o percurso da Rota do Parque.
A Prefeitura nos enviou, há duas semanas, os estudos técnicos revistos com estas alterações técnicas. Estes estão agora em análise pela AFD para validação antes do início da execução do projeto."
