
Dois abrigos preventivos começaram a ser montados na tarde desta terça-feira (11) em Rio Grande, diante da elevação do nível da Lagoa dos Patos e do avanço da água em áreas mais baixas do município. Às 17h, o nível chegava a 101,9 centímetros, 21,9 centímetros acima da cota de inundação, de 80 centímetros.
As estruturas terão capacidade para receber até 100 pessoas e poderão ser utilizadas caso novas famílias precisem deixar suas residências nas próximas horas.
Apesar da elevação, a projeção é de que o nível não ultrapasse o registrado durante a cheia de 2024. Após o pico previsto para esta terça-feira, a tendência é de recuo das águas. Mesmo assim, o nível deve permanecer próximo da cota de inundação até sábado (15).
A elevação também está relacionada à ação dos ventos sobre a Lagoa dos Patos, que influencia o deslocamento e o represamento da água em direção a determinadas regiões do município.
Bombas serão instaladas em áreas mais baixas
Além da abertura preventiva dos abrigos, a prefeitura decidiu instalar bombas de drenagem em regiões consideradas mais vulneráveis. Os primeiros equipamentos devem ser colocados nas ruas Lagoa Azul e Marechal Deodoro, onde a água já avançou sobre as vias.
As medidas foram definidas em uma reunião realizada na manhã desta terça-feira entre o Executivo Municipal, a Defesa Civil e representantes das secretarias.
Também será instalado um gabinete de crise, com participação das secretarias municipais, para concentrar as ações relacionadas à elevação da Lagoa e dar suporte à Defesa Civil.
As equipes da Defesa Civil devem ainda intensificar as visitas às áreas mais suscetíveis a alagamentos. A orientação aos moradores é para que estejam preparados para uma eventual necessidade de deixar as residências e adotem medidas para dificultar a entrada da água por portas e ralos.
Como os ventos influenciam?
A Barra do Rio Grande funciona como a principal saída da água da Lagoa dos Patos em direção ao Oceano Atlântico. Em condições normais, o escoamento ocorre de forma contínua, permitindo que os níveis da lagoa permaneçam estáveis.
Quando ventos do quadrante sul atuam por vários dias consecutivos, esse fluxo natural é dificultado. Com menos água conseguindo sair pela barra, ocorre um represamento temporário dentro do estuário, elevando os níveis principalmente em Rio Grande e São José do Norte.
O fenômeno não está relacionado a chuvas intensas na região, mas sim à ação dos ventos sobre a dinâmica da lagoa.
