O avanço do nível da Lagoa dos Patos voltou a preocupar moradores de áreas ribeirinhas da Zona Sul. Em Rio Grande e São José do Norte, a água ultrapassou as cotas de inundação durante a noite de segunda-feira (10), após uma elevação de mais de 30 centímetros em poucas horas. A previsão do Centro Integrado de Estudos do Oceano (CIEX/FURG) indica que o nível ainda pode subir nos próximos dias, exigindo atenção das comunidades que vivem em regiões mais baixas.
Em Rio Grande, a cota de inundação é de 80 centímetros. Às 8h30min de segunda-feira, o nível da Lagoa estava em 70,8 centímetros. Ao longo do dia, a água subiu e chegou a 1,09 metro às 18h30min, quase 30 centímetros acima da marca de inundação.

Nesta terça-feira (11), o nível recuou durante a manhã, mas ainda apresentou oscilações. Às 6h30min, estava em 88,7 centímetros; às 8h, em 84,1 centímetros; e às 9h, em 79,4 centímetros.
A situação é acompanhada de perto por moradores de bairros próximos à Lagoa. No bairro Navegantes, na Avenida Almirante Tamandaré, o eletricista Alex Lima Lopes conta que a elevação da água já faz parte da rotina de quem vive na região desde a enchente de 2024.
Segundo ele, na tarde de segunda-feira, a água avançou durante horas e chegou às proximidades de um colégio.
— Desde as três da tarde até umas sete e meia da noite a água andou duas quadras — relata.
Alex afirma que muitos moradores mantêm móveis elevados por causa da proximidade com a água e dos episódios anteriores de inundação. Segundo ele, quando o nível da Lagoa aumenta, a água também pode retornar pelas tubulações das residências.
Vento e água de outras regiões favorecem o avanço
Segundo Anderson Montiel, secretário-executivo da Defesa Civil de Rio Grande, a elevação é resultado da combinação entre a água que desce de regiões como a Metropolitana e o Vale do Caí e a atuação dos ventos do quadrante sul.
— As águas que descem da região metropolitana, Guaíba, Vale do Caí, entre outros rios afluentes, passam pela Lagoa dos Patos e chegam na cidade do Rio Grande. Ao chegar aqui, elas acabam empilhando, tendo em vista que o vento é sul — explica.
Conforme Montiel, ventos de sul, sudeste e sudoeste dificultam a saída da água pela Barra do Rio Grande. O efeito provoca um represamento e o chamado empilhamento da água, favorecendo o avanço sobre áreas ribeirinhas.
A Defesa Civil acompanha principalmente os bairros mais vulneráveis e orienta os moradores a manterem atenção ao nível da Lagoa. Em caso de necessidade, as equipes podem auxiliar na retirada e no transporte de móveis.
CIEX prevê nível acima de 1,20 metro
A preocupação das autoridades também está relacionada à previsão para os próximos dias.
Em boletim divulgado na segunda-feira (10), às 17h, o CIEX/FURG projetava que o nível na estação do CCMAR/FURG, em Rio Grande, poderia atingir 126 centímetros, com margem de 6 centímetros para mais ou para menos.
A projeção representa 46 centímetros acima da cota de inundação do município.
Para São José do Norte, a previsão era de um pico de 125 centímetros, com margem de 6,5 centímetros para mais ou para menos. A cota de inundação no município é de 108 centímetros.
O vice-prefeito de Rio Grande, Renato Mattos Gomes, afirma que a prefeitura já trabalha com um cenário de preparação para eventual necessidade de retirada de moradores. Cinco abrigos foram mapeados, e um sexto, na Quarta Secção da Barra, estava sendo avaliado.
— Acreditamos que estaremos atentos e preparados para atender a nossa comunidade, a população — afirma.
Segundo ele, a prefeitura mantém reuniões entre as secretarias e acompanha as áreas consideradas mais vulneráveis.
São José do Norte também teve água acima da cota
Em São José do Norte, o nível chegou a 111,8 centímetros às 17h de segunda-feira, ultrapassando em 3,8 centímetros a cota de inundação.

Depois do pico, houve recuo. Às 6h desta terça-feira, a medição era de 88,5 centímetros e, às 10h, estava em 76,2 centímetros. Mesmo com a oscilação, a previsão do CIEX indica que o nível ainda pode alcançar 1,25 metro.
A travessia de lanchas entre Rio Grande e São José do Norte seguia funcionando normalmente na manhã desta terça-feira. Conforme informação repassada pela prefeitura, a operação pode ser afetada quando a água ultrapassa o nível do cais de Rio Grande, mas não havia interrupção até o momento.
São Lourenço do Sul também registra elevação
Em São Lourenço do Sul, o nível da Lagoa também aumentou de forma expressiva nas últimas horas, mas permanece abaixo da cota de inundação, de 148 centímetros.
Na manhã de segunda-feira, a medição estava em 98,3 centímetros. O nível chegou a 122,6 centímetros às 21h30min e permanecia na faixa dos 122 centímetros nesta terça-feira. Às 10h, estava em 123,8 centímetros.
Apesar de não ter alcançado a cota de inundação, o município registrou uma elevação de cerca de 25 centímetros em relação ao início do período analisado.
A Defesa Civil de Rio Grande reforça que moradores de áreas vulneráveis devem acompanhar as atualizações e, se necessário, solicitar auxílio pelo telefone 199. As equipes permanecem em monitoramento diante da possibilidade de novas oscilações no nível da Lagoa.
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