
O nível da Lagoa dos Patos ultrapassou a cota de inundação durante a madrugada desta segunda-feira (3) em Rio Grande. O maior registro ocorreu à 0h30min, quando a régua do Linígrafo Ciex/CCMAR marcou 88,2 centímetros, ficando 8,2 centímetros acima da cota de inundação, estabelecida em 80 centímetros.
Após atingir o pico, a água iniciou um movimento de recuo. Às 6h, o nível havia baixado para 79,3 centímetros, retornando abaixo da cota de inundação. A redução continuou ao longo da manhã e, às 8h30min, a medição apontava 69,8 centímetros.
Apesar da diminuição ao longo da manhã, a Defesa Civil de Rio Grande informou que segue acompanhando a situação em tempo real e monitorando as áreas mais suscetíveis a alagamentos. O órgão utiliza os dados do Linígrafo Ciex/CCMAR para acompanhar a evolução da lagoa e avaliar possíveis impactos à população.
Segundo os registros, o nível da lagoa começou a subir ainda na noite de domingo (2). Às 23h30min, a medição era de 85,6 centímetros. Trinta minutos depois, passou para 86,2 centímetros e atingiu o maior nível à 0h30min, com 88,2 centímetros. A partir da 1h, iniciou uma tendência de queda, embora com pequenas oscilações ao longo da madrugada.
Segundo o coordenador da Defesa Civil e vice-prefeito de Rio Grande, Paulo Renato Mattos Gomes, a elevação do nível da lagoa está relacionada ao grande volume de chuva registrado nos últimos dias no Norte e no Centro do Estado.
Como toda a água escoa pela bacia da Lagoa dos Patos, ela leva cerca de 10 dias para chegar ao extremo Sul.
— Essa água que tem chovido no Norte, no Centro do Estado e no Alto Jacuí leva um tempo para chegar até Rio Grande. Ela passa por Arambaré, São Lourenço do Sul, Pelotas e, consequentemente, chega aqui. Por isso fazemos o monitoramento permanente da evolução do nível da lagoa — afirma.
A amplitude entre o maior e o menor nível registrado no período foi de 15,1 centímetros, comportamento considerado compatível com as oscilações provocadas pelas condições meteorológicas e hidrodinâmicas da Lagoa dos Patos.
Embora a lagoa tenha permanecido acima da cota de inundação por algumas horas, o nível observado nesta segunda-feira está muito abaixo do registrado durante a enchente histórica de maio de 2024, quando chegou a 2,18 metros.
Segundo Gomes, o volume de chuva registrado neste episódio é significativamente menor do que o da enchente de dois anos atrás.
— Acreditamos, pelas informações que temos hoje, que não deve ocorrer uma situação como a de 2024. Naquela ocasião, choveu cerca de mil milímetros no Norte e Centro do Estado e mais aproximadamente 200 milímetros na região de Rio Grande. Agora, os volumes são bem menores, o que reduz o potencial de impacto, embora o cenário siga sendo acompanhado — explica.
Outro fator que influencia diretamente o nível da lagoa é a direção do vento. Conforme o coordenador, ventos de nordeste dificultam o escoamento da água para o oceano e favorecem a elevação da lagoa, enquanto ventos do quadrante sul podem represar a saída da água pela Barra.
A Defesa Civil mantém equipes em monitoramento permanente, especialmente nas áreas ribeirinhas mais suscetíveis a alagamentos, como a Vila da Mangueira, Saca da Mangueira, Quarta Secção da Barra, Santa Tereza, Alberto Torres, Ilha dos Marinheiros e outras localidades mapeadas pelo Serviço Geológico do Brasil.
— Nossa prioridade é acompanhar a situação e preparar a resposta caso seja necessário. As equipes monitoram diariamente as áreas mais vulneráveis, vistoriam os locais que podem servir de abrigo e mantêm contato permanente com os institutos que fazem o acompanhamento hidrológico. Ainda é cedo para afirmar como o cenário vai evoluir, porque ele depende das chuvas e, principalmente, do comportamento dos ventos — diz Gomes.
A Defesa Civil informou que continuará monitorando as condições hidrológicas e meteorológicas e que novas atualizações serão divulgadas caso haja mudanças no cenário.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.




