
O nível da Lagoa dos Patos, em Rio Grande, deve voltar a subir nas próximas horas após uma queda significativa provocada pelos ventos fortes associados ao ciclone que atingiu a região. Segundo avaliação do Centro Integrado de Estudos do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (CIEX/CCMAR), a mudança na direção dos ventos deve favorecer a retenção de água na lagoa e elevar novamente o nível em áreas próximas ao município.
Às 13h desta sexta-feira (7), o nível registrado era de 73,6 centímetros, abaixo da cota de inundação, estabelecida em 80 centímetros. A projeção, porém, é de que essa marca seja ultrapassada durante a tarde de sábado (8).
Segundo Elisa Fernandes, do CIEX/CCMAR, os ventos do quadrante norte registrados durante a atuação do ciclone favoreceram a saída de água da Lagoa dos Patos em direção ao oceano.
— O ciclone que atuou ontem na região veio acompanhado de fortes ventos do quadrante norte, o que favorece a saída de água da lagoa em direção ao oceano. Por este motivo tivemos uma significativa redução dos níveis em Rio Grande durante a noite e a madrugada — explica.
Com a mudança para ventos do quadrante sul ao longo desta sexta-feira, o comportamento deve se inverter. A água tende a retornar em direção à região de Rio Grande, provocando uma nova elevação do nível.
— Ao longo do dia de hoje, entretanto, fortes ventos do quadrante sul irão modificar este cenário e o nível da água em Rio Grande voltará a subir, com expectativa de ultrapassar a cota de inundação amanhã à tarde — afirma Elisa.
Áreas mais baixas podem registrar alagamentos
Caso a projeção se confirme, as áreas mais baixas de Rio Grande, que historicamente apresentam problemas de alagamento quando o nível da Lagoa dos Patos sobe, podem voltar a ser afetadas.
A previsão, no entanto, não indica, neste momento, um cenário semelhante ao registrado durante a grande inundação de 2024. A elevação projetada está relacionada principalmente à mudança na direção dos ventos após a passagem do ciclone.
O comportamento do nível da lagoa seguirá sendo acompanhado pelas equipes de monitoramento nas próximas horas. A evolução dependerá também da intensidade e da persistência dos ventos do quadrante sul.
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