A formação de um ciclone-bomba entre quinta-feira (6) e sexta-feira (7) deve colocar a Zona Sul e a Campanha entre as áreas de maior atenção no Rio Grande do Sul. Embora o sistema não avance sobre o território gaúcho, a proximidade com a fronteira e a rápida intensificação sobre o Uruguai e o oceano podem provocar rajadas de vento entre 80 e 100 quilômetros por hora, além de temporais, principalmente entre a noite de quinta e a madrugada de sexta.
Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, o fenômeno começará a se formar sobre o Uruguai na quinta-feira e ganhará força rapidamente à medida que avançar em direção ao oceano.
— Em nenhum momento o ciclone entra no Rio Grande do Sul. Ele passa pelo Uruguai e segue para o oceano. Mas se intensifica muito rapidamente em um período de 24 horas, o que caracteriza um ciclone-bomba. Mesmo sem entrar no Estado, ele consegue provocar consequências importantes nas áreas mais próximas — explica.
Os municípios da Campanha e da Zona Sul, como Bagé, Pelotas, Rio Grande, Chuí, Santa Vitória do Palmar e cidades da Costa Doce, devem registrar os ventos mais intensos. Nessas regiões, as rajadas podem atingir entre 80 e 100 quilômetros por hora durante a madrugada de sexta-feira.

Nas demais regiões do Estado, como a região central, o entorno da Lagoa dos Patos, Porto Alegre, Serra e Litoral Norte, a previsão é de rajadas entre 60 e 80 quilômetros por hora, também consideradas fortes.
Vento persistente aumenta o risco de danos
De acordo com Puchalski, uma das principais diferenças entre um ciclone e os temporais típicos de verão é a duração do vento.
— É um vento de ciclone. Não é uma rajada isolada, como acontece em um temporal. É um vento que permanece forte por algumas horas, aumentando o potencial para queda de árvores, danos na rede elétrica e outros transtornos — diz.
Além dos ventos, o sistema impulsiona uma linha de instabilidade que deve provocar temporais em praticamente todo o Rio Grande do Sul.
As primeiras tempestades podem atingir a fronteira com o Uruguai ainda na noite de quinta-feira. Na madrugada de sexta, a instabilidade avança rapidamente em direção ao norte do Estado.
— É uma linha de temporais que cruza o Rio Grande do Sul em poucas horas. Ela avança de sul para norte muito rapidamente, impulsionada pela força do ciclone — afirma o meteorologista.
Região Sul deve concentrar os maiores impactos
Por estar mais próxima da formação do ciclone, a Zona Sul deve concentrar as condições mais severas no Estado. A combinação entre ventos persistentes e temporais pode provocar queda de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica e dificuldades no deslocamento durante a madrugada de sexta-feira.
No oceano, o cenário é ainda mais crítico. As rajadas podem superar 150 quilômetros por hora, principalmente entre o litoral uruguaio e o extremo sul da costa gaúcha.
Segundo Puchalski, a navegação deve ser evitada durante a passagem do sistema.
— O vento mais intenso ficará sobre o oceano. É uma situação que exige extremo cuidado das embarcações porque as condições de navegação serão bastante adversas — detalha.
Tempo firme retorna na sexta-feira
Apesar da intensidade do sistema, a atuação do ciclone deve ser rápida. Ainda na manhã de sexta-feira, o fenômeno começa a perder influência sobre o Rio Grande do Sul.
A previsão indica redução da nebulosidade ao longo do dia e o avanço de uma massa de ar frio e seco, favorecendo o retorno do sol e a queda das temperaturas em praticamente todas as regiões do Estado.
A orientação é que os moradores da Zona Sul acompanhem os avisos meteorológicos e evitem deslocamentos durante a madrugada de sexta-feira, período em que são esperados os ventos mais fortes e a passagem da linha de temporais.
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