
Quase 4 mil edificações foram atingidas pelo ciclone que passou por Pelotas na quinta-feira (6), segundo levantamento divulgado pela prefeitura nesta segunda-feira (10). Ao todo, 3.905 imóveis, de um universo de 13.125 edificações localizadas na área mais afetada, tiveram algum tipo de dano.
Os dados estão reunidos em um parecer técnico elaborado pela Secretaria de Urbanismo (Seurb) e servem de base para o decreto de situação de emergência de nível II assinado pelo prefeito Fernando Marroni na sexta-feira (7). A medida tem validade de 180 dias.
O levantamento considera o chamado corredor de danos, que se estende no sentido Oeste-Leste, a partir do bairro Fragata em direção à Laguna dos Patos. Conforme a avaliação técnica, o ciclone chegou a ter aproximadamente um quilômetro de largura.
A partir do parecer, a prefeitura pretende ampliar o levantamento dos prejuízos e detalhar os danos em iluminação pública, semaforização, escolas, unidades básicas de saúde (UBSs) e outros equipamentos públicos. Também deverão ser produzidos laudos para identificar imóveis interditados ou completamente destruídos.
O documento é considerado pela administração municipal uma das bases para a busca de recursos destinados à reconstrução de Pelotas e ao atendimento das famílias afetadas pelo temporal.
Destelhamentos concentram ocorrências
Os destelhamentos são, até o momento, a principal manifestação dos danos provocados pelo ciclone. Das 302 ocorrências comunicadas por moradores à Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil (SMPDC), 289 estão relacionadas a problemas nos telhados.
Os registros se concentram principalmente em áreas densamente povoadas, como Gotuzzo, Guabiroba e Vila Farroupilha, no bairro Fragata.
A prefeitura iniciou a distribuição de telhas na noite de sexta-feira (7), após adquirir inicialmente 2 mil unidades de seis milímetros no comércio local. A operação começou pela Vila Gotuzzo e, durante o fim de semana, avançou pela Guabiroba e pelo loteamento Dunas, no Areal.
Até esta segunda-feira, mais de mil telhas já haviam sido distribuídas.
Além da entrega dos materiais, equipes municipais realizam cadastramentos presenciais na Guabiroba e no Dunas. Uma unidade móvel também atende moradores do Vasco Pires, Vila da Palha e Vila Farroupilha que ainda não haviam feito o cadastro junto à Defesa Civil.
O Exército Brasileiro passou a auxiliar a Defesa Civil na distribuição das telhas, em uma força-tarefa criada para acelerar o atendimento às famílias atingidas.
Chuva prevista aumenta pressão por reparos
A previsão de mais chuva durante a semana levou a prefeitura a priorizar os atendimentos emergenciais, especialmente em imóveis que ficaram expostos após os destelhamentos.
Além das telhas, o município também recebe solicitações de caixas d'água para famílias afetadas. Duas unidades foram entregues na noite de sexta-feira na Vila Gotuzzo, disponibilizadas pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon) de Pelotas.
Desde a passagem do ciclone, a prefeitura também distribuiu quatro quilômetros de lona para auxiliar na proteção de imóveis danificados.
O material é utilizado principalmente para cobrir provisoriamente telhados e outras partes das residências que ficaram expostas às condições climáticas.
Levantamento dos danos ainda será ampliado
O parecer técnico divulgado pela Seurb aponta ainda 48 ocorrências relacionadas à arborização urbana e à rede de energia elétrica, incluindo quedas de árvores associadas à infraestrutura elétrica.
A prefeitura considera que o número ainda é preliminar e deverá ser atualizado à medida que novas informações forem incorporadas ao levantamento.
A próxima etapa da avaliação deve detalhar os impactos sobre estruturas públicas e privadas e identificar imóveis que necessitem de interdição, reparos estruturais ou reconstrução.
Para elaborar o parecer, a Secretaria de Urbanismo utilizou geotecnologias, sensoriamento remoto, Sistema de Informações Geográficas (SIG), base cadastral municipal, imagens de satélite, registros georreferenciados de ocorrências, fotografias de campo e levantamentos aéreos realizados por drones.
A análise também permitiu delimitar a área mais afetada pelo fenômeno e identificar as edificações atingidas ao longo do trajeto do ciclone.
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