
A situação de risco enfrentada por cerca de 900 famílias foi um dos fatores que levaram Rio Grande a decretar situação de emergência, segundo a prefeita Darlene Pereira. A medida, oficializada na quinta-feira (13), teve caráter preventivo e ocorreu após uma semana marcada por vendaval, alagamentos e elevação do nível da Lagoa dos Patos.
Segundo a prefeita, embora não tenham sido registrados casos graves de inundação dentro de residências, a elevação das águas exigiu o acompanhamento da Defesa Civil e a mobilização das equipes municipais.
— Não tivemos uma situação grave dentro das casas, mas cerca de 900 famílias ficaram em situação de risco. Por isso a precaução e a decretação desse decreto — afirmou.
O decreto classifica a ocorrência como desastre natural hidrológico de inundação e tem validade de 180 dias. A medida também pode facilitar futuras ações de assistência à população e o encaminhamento de pedidos relacionados ao saque calamidade do FGTS.
Vendaval e avanço da lagoa pesaram na decisão
De acordo com Darlene, a decisão não levou em conta apenas a elevação das águas da Lagoa dos Patos. O município ainda contabiliza os reflexos do vendaval registrado na semana passada, que provocou danos em imóveis particulares e estruturas públicas.
— Já tinha acontecido o vendaval, que afetou várias casas. Tivemos o registro de cerca de 40 casas com destelhamento, que já atendemos emergencialmente com lona e depois com a entrega de telhas. Também houve avarias na universidade, em escolas municipais e a destruição total de um dos ginásios esportivos do município — disse.
Na sequência, vieram as chuvas e a elevação do nível da lagoa. Embora a água não tenha avançado de forma significativa para dentro das residências, houve registros de alagamentos em ruas, pátios e áreas consideradas mais vulneráveis.
— Em algumas situações chegou a entrar água, mas nada tão preocupante, com lâminas de cinco ou dez centímetros. Mesmo assim, são ocorrências que exigem mobilização da Defesa Civil — afirmou.
Segundo a prefeita, o município aguardou pareceres técnicos antes de publicar o decreto.
— Estávamos esperando as avaliações da Defesa Civil para verificar se a situação se enquadrava como emergência. É uma emergência nível 2, não é calamidade pública. Graças a Deus, não tivemos feridos nem pessoas machucadas.
"Obras mais complexas são necessárias"
Darlene também afirmou que Rio Grande adotou medidas preventivas após a enchente histórica de 2024. Entre elas estão a limpeza de valas, tubulações e bocas de lobo para melhorar o escoamento da água durante períodos de chuva intensa.
A prefeita reconhece, porém, que o avanço da água da Lagoa dos Patos sobre áreas urbanas depende de obras estruturantes mais complexas.
— Quando a água entra da lagoa para a cidade, não é apenas uma questão de limpeza de tubulação ou de casas de bomba. Muitas vezes ela entra pelas próprias redes de drenagem. Para isso, precisaríamos de uma obra estruturante, que leva mais tempo e que são mais complexas.
Enquanto soluções definitivas não saem do papel, a prefeitura aposta em medidas emergenciais. Entre elas estão a utilização de bombas móveis e a contenção de pontos por onde a água retorna à área urbana.
As regiões mais afetadas nesta semana foram Cidade Nova, especialmente no entorno da Rua Marechal Deodoro e da Lagoa Azul, além da Vila Dias.
Nível segue acima da cota de inundação
A preocupação da prefeitura permanece porque a Lagoa dos Patos continua acima da cota de inundação. A previsão indica que o nível deve permanecer entre 90 centímetros e um metro ao longo desta sexta-feira (14), enquanto a cota de inundação é de 80 centímetros.
Para sábado (15), a projeção aponta pouca alteração, com níveis entre 85 e 95 centímetros. Já para domingo (16), a expectativa é de um pico próximo de 1,02 metro durante a madrugada e a manhã, seguido de redução ao longo do dia.
Segundo a administração municipal, o monitoramento das áreas de risco continuará sendo realizado pela Defesa Civil e pelas equipes da prefeitura nos próximos dias.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.
