
Agricultores de Estrela, no Vale do Taquari, participam de um intercâmbio no sul do Estado para conhecer técnicas alternativas de reconstrução e produção em áreas agrícolas atingidas por enchentes. A atividade começou na terça-feira (11) e se estendeu até esta quinta-feira (13).
Organizada pela Embrapa Clima Temperado e pelo Programa CAPA de Agroecologia da Fundação Luterana de Diaconia, a atividade reúne 60 produtores de Estrela, Pelotas, Canguçu, São Lourenço do Sul e São José do Norte.
O objetivo é apresentar aos agricultores familiares de Estrela, um dos municípios mais atingidos pela enchente de 2024, os chamados sistemas agroflorestais, técnica desenvolvida e aprimorada na região Sul do Estado que pode ser uma alternativa diante dos efeitos das mudanças climáticas.
Segundo o pesquisador da Embrapa e responsável pela atividade, Ernestino Guarino, a proposta também busca promover a troca de experiências entre os próprios agricultores, além do contato com pesquisadores.
— Quando o agricultor conversa com outro agricultor é muito mais efetiva a troca de conhecimento do que do pesquisador para o agricultor. Então, fomentando essa troca de experiências, a gente fomenta o conhecimento nesses agricultores — explica.
Produção de alimentos e recuperação ambiental
Os sistemas agroflorestais integram árvores, cultivos agrícolas e, em alguns casos, a criação de animais. A prática combina a produção de alimentos com a conservação e a recuperação ambiental.
No sul do Brasil, a técnica pode incluir o cultivo de frutas, hortaliças e erva-mate.

Considerada uma forma de produção ancestral, a agrofloresta é utilizada em diferentes regiões do mundo. No Sul do Brasil, a técnica pode incluir o cultivo de frutas como laranja, pêssego, uva, caqui, pitanga e goiaba, além de hortaliças, como mandioca, batata e batata-doce, e espécies como araucária e erva-mate.
O sistema também contribui para a conservação da biodiversidade e para a captura e o armazenamento de carbono da atmosfera, principalmente nas árvores e no solo.
Segundo Guarino, além de apresentar maior resistência a eventos climáticos, a técnica pode gerar retorno econômico superior ao de alguns cultivos isolados.
— É uma forma muito mais ambientalmente viável de cultivar alimentos do que os sistemas monocultivos que nós temos hoje. E a gente sabe que gera renda, e que gera renda às vezes até muito maior do que a renda de alguns cultivos isolados — relata.
Os produtores visitaram propriedades ecológicas em Pelotas, Canguçu e São Lourenço do Sul.

Pesquisa com sistemas agroflorestais
A Embrapa pesquisa Sistemas Agroflorestais na região Sul em parceria com comunidades locais há quase 20 anos. De acordo com Guarino, diferentes espécies podem ser incorporadas ao sistema, inclusive aquelas tradicionalmente cultivadas em áreas de sol pleno.
— Todas as plantas que podem ser cultivadas a pleno sol, elas também podem ser cultivadas no sistema agroflorestal nos primeiros anos de vida — afirma.
Os produtores de Estrela puderam visitar propriedades ecológicas em Pelotas, Canguçu e São Lourenço do Sul, conhecendo experiências de produção que combinam diferentes espécies e práticas de conservação ambiental.
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