
A passagem de um ciclone extratropical deixou um rastro de destruição e assustou moradores em Pelotas, no sul do Estado. Com rajadas de vento de 89 km/h, o município já contabiliza mais de 250 casas destelhadas. Apesar do impacto dos estragos materiais em diversas regiões da cidade, não há registro de feridos ou vítimas.
Para atender à demanda e socorrer as famílias atingidas, a Defesa Civil descentralizou a entrega de insumos e abriu um novo centro de distribuição de lonas na Vila Gotuzzo, uma das comunidades mais afetadas.
Segundo o secretário municipal de Defesa Civil, Milton Martins, mais de três quilômetros de lonas já foram distribuídos. O volume de chamados cresceu substancialmente na manhã desta sexta-feira devido à demanda reprimida da véspera, quando a falta de energia elétrica e a queda nos serviços de internet impossibilitaram o contato dos moradores com as equipes de resgate.
A prefeitura trabalha na elaboração de um relatório detalhado sobre os estragos para embasar a decretação de situação de emergência ou estado de calamidade pública. A medida é considerada indispensável para garantir o repasse de verbas estaduais e federais destinadas à compra de telhas e outros materiais de reconstrução.
“Foi uma coisa que nunca se viu na vida”
Nas ruas e nos bairros atingidos, o cenário após o vendaval é marcado pela apreensão e pelo trabalho de limpeza dos destroços. O forte vento arrancou telhados inteiros, derrubou estruturas e espalhou resíduos por vias públicas.

A intensidade do fenômeno surpreendeu quem estava na rua no momento das rajadas. Moradores relatam momentos de pânico diante do volume de detritos arremessados pelo vento.
— Foi um negócio assustador, achei que era a morte que estava vindo. Foi uma coisa que nunca se viu na vida. Olha o estado em que está tudo. Meu apartamento destelhou todo e toda a região ficou assim, é muito triste — relata o motorista Cristian Jaks Frohlich, morador da Guabiroba.
Na hora em que o ciclone atingiu a cidade, ele estava dentro de uma padaria local e acompanhou o avanço da tempestade.
— Foi a alma que gritou. Eu estava aqui na padaria no momento do acontecido e aquilo era destroço voando, lixeira voando. Graças a Deus a gente tem bastante gente que ajuda, vai dar tudo certo. Não se perdeu ninguém, são só danos materiais e vamos conseguir passar por esse momento — desabafou.

A prioridade das equipes municipais segue voltada ao restabelecimento da energia elétrica, à normalização dos serviços de comunicação e à realização de vistorias técnicas nas residências afetadas.
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