
O regime de ventos é um dos principais responsáveis pelas oscilações no nível da Lagoa dos Patos em Rio Grande e São José do Norte. Em períodos de alerta meteorológico, principalmente quando há previsão de rajadas de vento fortes, muitas pessoas associam automaticamente o risco à ocorrência de enchentes.
No entanto, especialistas explicam que o comportamento da lagoa depende de uma dinâmica natural entre o vento, o estuário e a Barra do Rio Grande, que conecta a lagoa ao Oceano Atlântico.
Em condições normais, a água da Lagoa dos Patos escoa continuamente pela Barra do Rio Grande em direção ao mar, mantendo o nível relativamente estável. Esse processo, porém, pode mudar conforme a direção do vento.
Quando predominam rajadas dos quadrantes sul e sudeste durante vários dias consecutivos, o escoamento da água é dificultado.
A força do vento atua contra a saída natural da lagoa, provocando um represamento temporário da água dentro do estuário. Como consequência, o nível da lagoa sobe, principalmente nas regiões de Rio Grande e São José do Norte, podendo causar alagamentos em áreas ribeirinhas e pontos mais baixos da cidade.
A coordenadora do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos da Universidade Federal do Rio Grande (Ciex-Furg), Elisa Fernandes, explica que esse comportamento é recorrente e faz parte da dinâmica natural do estuário.
— A inundação ocorre em função de uma sequência de dias de ventos do quadrante sul de intensidade moderada. Esses ventos dificultam os fluxos de vazante e favorecem os fluxos de enchente no estuário, gerando níveis mais altos principalmente em Rio Grande e São José do Norte — afirma.
Segundo a pesquisadora, esse tipo de elevação nem sempre está associado ao volume de chuva registrado na cidade. Mesmo em períodos sem precipitação significativa, o vento pode ser suficiente para elevar o nível da lagoa.
O cenário muda quando passam a predominar rajadas de vento do quadrante norte. Nessa condição, a circulação da água é favorecida em direção ao Oceano Atlântico, permitindo que o nível da lagoa diminua gradualmente.
— Até segunda-feira teremos ventos de quadrante norte, que favorecem o escoamento da lagoa em direção ao oceano — explica Elisa.
Como cada direção do vento interfere
Vento do Sul e Sudeste
- Dificulta a saída da água pela Barra do Rio Grande;
- Provoca represamento temporário no estuário;
- Eleva o nível da lagoa;
- Aumenta o risco de alagamentos em áreas próximas à orla e regiões mais baixas.
Vento do Norte
- Favorece o escoamento da água para o Oceano Atlântico;
- Reduze gradualmente o nível da lagoa;
- Contribue para diminuir os alagamentos provocados pelo represamento.
O comportamento da Lagoa dos Patos é acompanhado continuamente pelo Ciex-Furg, que monitora as condições meteorológicas e hidrodinâmicas da região.
As informações servem de apoio à Defesa Civil e aos órgãos públicos para orientar ações preventivas quando há previsão de elevação dos níveis.
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