
Com 74,4 milímetros de chuva acumulados entre sexta-feira (17) e o meio-dia de segunda-feira (20), as casas de bombas voltaram a desempenhar papel fundamental no sistema de drenagem urbana de Rio Grande.
Sempre que o volume de precipitação aumenta, as estruturas entram em operação para retirar a água da rede pluvial e direcioná-la aos corpos hídricos receptores, evitando que ela fique represada nas tubulações e reduzindo a capacidade de escoamento das ruas.
Mas como esse sistema funciona na prática?
Rio Grande possui quatro casas de bombas, localizadas nos bairros Barroso, Ipiranga, Salgado Filho e Acácia Riograndense, que atendem exclusivamente à região central da cidade.
Juntas, elas somam 14 conjuntos de bombeamento, acionados durante os períodos de chuva para retirar a água acumulada na rede de drenagem pluvial e lançá-la nos corpos hídricos receptores, contribuindo para reduzir o risco de alagamentos.
Segundo o secretário de Infraestrutura, Rodrigo Barreto, todas as estruturas estão em pleno funcionamento, apesar de um problema registrado na última semana.
— Todas as bombas estão em operação. Na quinta-feira passada tivemos um problema com uma bomba pelo descarte irregular de lixo, mas conseguimos realizar a troca dela e deixar todas as bombas operantes para este período de chuvas — afirma.
As casas de bombas funcionam apenas quando há necessidade. Durante os eventos de chuva, equipes da Secretaria de Infraestrutura (SMI) permanecem em regime de plantão para acompanhar o comportamento da rede de drenagem e acionar os equipamentos.
Conforme o secretário, esse processo deixará de ser totalmente manual.
— As bombas são acionadas por servidores da secretaria, mas estamos em processo de automação das quatro casas de bombas. A expectativa é que, até o final do ano, elas estejam aptas para acionamento automatizado ou remoto — explica Barreto.
Além do acionamento remoto, a automação permitirá acompanhar, em tempo real, o nível da água nos poços das casas de bombas, o funcionamento dos equipamentos e o nível da Lagoa dos Patos.
— Atualmente não temos nenhum monitoramento nas casas de bombas, mas, com a implantação da automação, vamos ter o monitoramento da entrada de água nos poços, da saída e também do nível da lagoa — acrescenta.
Casas de bombas em números
Atualmente, o sistema de drenagem urbana da região central de Rio Grande conta com quatro casas de bombas e 14 conjuntos de bombeamento.
A unidade do Barroso possui quatro bombas, cada uma com capacidade para bombear 600 litros por segundo. A casa de bombas do Ipiranga também conta com quatro equipamentos de 600 litros por segundo cada.
No Salgado Filho, o sistema é composto por duas bombas, ambas com capacidade para 400 litros por segundo.
Já a unidade da Acácia Riograndense reúne quatro bombas: duas com capacidade de 600 litros por segundo e outras duas capazes de bombear 800 litros por segundo.
Além das estruturas existentes, a prefeitura está implantando uma nova casa de bombas na Rua Major Carlos Pinto, na Orla Norte, ampliando a infraestrutura de drenagem do município.
O caminho da chuva
A atuação das casas de bombas representa apenas uma etapa do sistema de drenagem urbana.
O percurso da água da chuva começa nas bocas de lobo distribuídas pelas ruas. A partir delas, a água segue pelas tubulações da microdrenagem e, posteriormente, pelas galerias da macrodrenagem.
Em boa parte da cidade, esse escoamento ocorre naturalmente pela diferença de nível do terreno. No entanto, na região central de Rio Grande, que possui baixa altitude e está próxima à Lagoa dos Patos, a água nem sempre consegue seguir seu caminho apenas pela gravidade.
É nesse momento que entram em operação as casas de bombas. Os equipamentos retiram a água acumulada na rede de drenagem e a bombeiam para os corpos hídricos receptores, mantendo as galerias livres para receber novos volumes de chuva e reduzindo o risco de alagamentos.
Sem esse sistema, a água permaneceria represada na rede de drenagem, diminuindo sua capacidade de escoamento e favorecendo o acúmulo nas ruas.
Nos últimos dias, essa estrutura voltou a ser exigida. Conforme relatório pluviométrico da Defesa Civil de Rio Grande, o município registrou 74,4 milímetros de chuva entre os dias 17 e 20 de julho.
Na sexta-feira (17), não houve precipitação. No sábado (18), foram registrados 6,2 milímetros de chuva. Já o domingo (19) concentrou o maior volume do período, com 38,2 milímetros.
Até as 12h desta segunda-feira (20), outros 30 milímetros haviam sido registrados. Durante todo esse período, as condições permaneceram sendo monitoradas pela Defesa Civil, juntamente com o nível da Lagoa dos Patos.
Limpeza e manutenção
Além da operação durante os períodos de chuva, a manutenção das casas de bombas é considerada fundamental para garantir a eficiência do sistema.
Na última quinta-feira (16), uma das bombas da unidade localizada na Avenida Ipiranga precisou ser substituída após ter o eixo travado pelo descarte irregular de lixo na rede de drenagem.

Assim que o problema foi identificado, equipes da Secretaria de Infraestrutura realizaram a substituição de todo o conjunto de bombeamento para restabelecer rapidamente a capacidade operacional da estrutura, diante da previsão de elevados volumes de chuva para os dias seguintes.
Segundo Rodrigo Barreto, o descarte irregular de resíduos em vias públicas, bocas de lobo e canais está entre os principais fatores que comprometem o funcionamento do sistema.
— Reforçamos que o descarte irregular de lixo e resíduos em vias públicas, bocas de lobo e canais compromete o funcionamento do sistema de drenagem. Além de provocar danos aos equipamentos, essa prática gera elevados custos de manutenção e aumenta significativamente o risco de alagamentos — destaca.
Além de reduzir a eficiência da drenagem, o acúmulo de resíduos pode bloquear tubulações, danificar bombas e exigir a substituição de equipamentos, como ocorreu na unidade da Avenida Ipiranga.
Por isso, a prefeitura orienta que lixo, entulhos e demais resíduos sejam descartados corretamente. A medida ajuda a preservar a infraestrutura urbana, reduz os custos de manutenção e contribui para o funcionamento adequado do sistema de drenagem durante os períodos de chuva.
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