
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Independência, em Pelotas, tornou-se a primeira instituição da Zona Sul a integrar o Mapa Brasileiro da Educação Midiática (MBEM) com um projeto de produção de podcasts desenvolvido por estudantes do 5º ano. A iniciativa passou a fazer parte oficialmente da plataforma em 8 de julho.
Desenvolvido pelo professor Lenon dos Santos, o podcast Indepensou e Disse foi lançado em 12 de junho de 2025, quando foi ao ar o primeiro episódio produzido pelos alunos. O projeto surgiu da ideia de transformar a antiga rádio escolar em um podcast, aproximando a comunicação do universo dos estudantes.
— A rádio era utilizada na hora do recreio para os alunos brincarem e se divertirem. Quando cheguei à escola, decidi modernizar essa metodologia e trazer um formato mais atual, com o podcast — afirma o professor.
O Mapa Brasileiro da Educação Midiática é uma iniciativa do governo federal em parceria com a Unesco. A plataforma reúne 523 projetos de todas as regiões do país voltados ao desenvolvimento da educação midiática em escolas, universidades e organizações.

Alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o projeto desenvolve competências como educação midiática, produção de roteiros, escrita e oratória. As gravações são feitas com equipamentos da própria escola, como microfones utilizados em eventos e gravadores antigos, e os episódios são publicados no Spotify.
O trabalho é realizado em duas etapas. Primeiro, cada estudante escolhe um tema de interesse e escreve o roteiro do episódio. Depois, o conteúdo é transformado em gravação.
— Eles têm liberdade para falar sobre o que quiserem. Depois vem a parte da gravação, quando transformamos a teoria em algo mais dinâmico e trabalhamos a oratória dos alunos — explica Lenon.
Segundo o professor, a liberdade para definir os temas faz com que os estudantes assumam protagonismo durante o processo, desenvolvendo também confiança e desinibição para falar em público.
Ao longo da primeira temporada, os alunos produziram episódios sobre temas sociais, culturais e do cotidiano. Entre os assuntos abordados estão Julho das Pretas, bullying, autismo na escola, Bobbie Goods, Mundo de Dandy, teorias da conspiração, passinho e Doces de Pelotas.
Projeto foi ampliado
A repercussão dos episódios despertou o interesse de estudantes de outras séries. Com a procura crescente, o projeto, inicialmente voltado apenas às turmas do 5º ano, foi oficializado em 2026 pela Secretaria Municipal de Educação e passou a integrar as atividades de toda a escola.
— Depois da publicação do primeiro episódio, o projeto começou a repercutir dentro da escola. Os pais passaram a acompanhar e ele ultrapassou os muros da instituição. Alunos dos sextos, sétimos e oitavos anos começaram a procurar o podcast para gravar seus próprios episódios — conta o professor.
Para Lenon, o reconhecimento no Mapa Brasileiro da Educação Midiática amplia a visibilidade da iniciativa e reforça o papel da escola na promoção do uso crítico e responsável das mídias entre crianças e adolescentes.
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