O Clube Comercial de Pelotas voltou a abrir as portas na tarde desta sexta-feira (10), mas não para receber associados. O acesso ao prédio histórico marcou o início do trabalho do gestor provisório nomeado pela Justiça, Victor Hugo Siqueira, que encontrou o imóvel em situação de abandono e afirmou que a prioridade será realizar uma limpeza completa antes de definir as primeiras intervenções.
Siqueira assumiu a administração do patrimônio após decisão judicial que dissolveu a diretoria da entidade. Inicialmente, o cargo havia sido oferecido ao promotor de Justiça aposentado José Olavo dos Passos, que recusou a nomeação.
Na primeira visita ao prédio, localizado no Centro de Pelotas, o gestor esteve acompanhado do promotor de Justiça José Alexandre Zachia Alan, da secretária municipal de Cultura, Carmem Vera Róig, e da imprensa, convidada para registrar as condições do imóvel.
A nomeação foi solicitada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) após a constatação de problemas estruturais e da falta de conservação do edifício. Pela decisão judicial, o gestor poderá abrir conta bancária em nome da entidade e buscar recursos para iniciar a recuperação do patrimônio.
A Justiça também determinou que a prefeitura adote medidas emergenciais para evitar riscos a pedestres provocados pelo estado de conservação do prédio.
Segundo a secretária de Cultura, um levantamento realizado há cerca de dois anos estimou que o restauro completo do imóvel exigiria investimento de, pelo menos, R$ 35 milhões.
— O mais impactante é se deparar com essa cena em que hoje se encontra o nosso Clube Comercial. Vamos ter que arregaçar as mangas, envolver a sociedade e trabalhar para recuperar esse patrimônio — afirmou Siqueira.
De acordo com o gestor, a primeira etapa será retirar entulhos e limpar o edifício para permitir uma avaliação técnica detalhada.
— O primeiro passo imediato é uma grande limpeza. O espaço está em uma situação insalubre e sequer permite que se realize uma reunião para organizar um plano de recuperação — disse.

Para o promotor José Alexandre Zachia Alan, a prioridade é buscar alternativas que permitam preservar o clube como entidade, antes de qualquer medida definitiva.
— Ainda há um caminho importante a percorrer. O ideal é reconstruir o quadro associativo e mobilizar a comunidade para restaurar esse bem tombado — afirmou.
O Palacete Braga, sede do Clube Comercial, foi inaugurado em 1888, na esquina das ruas Félix da Cunha e General Neto. Desde 1983, o imóvel é tombado como patrimônio histórico de Pelotas.

