
No próximo dia 31 de julho, o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP) completa 10 anos desde o ínicio das operações no município. A data marca uma década da primeira concessão do transporte coletivo da cidade, mas também evidencia um cenário de forte retração no setor.
Desde 2016, o número de passageiros pagantes caiu mais de 55%, a frota foi reduzida, o quadro de funcionários encolheu pela metade e a função de cobrador está perto de desaparecer. Atualmente, apenas 88 profissionais seguem exercendo a atividade nos ônibus de Pelotas.
Segundo o diretor-executivo do CTCP, Enoc Guimarães, cerca de dois terços dos aproximadamente 250 motoristas já acumulam a função de cobrança, recebendo um adicional pela dupla jornada.
— Nesse momento atual, sumiu o dinheiro de circulação nos ônibus. A função realmente perdeu espaço e a mão de obra hoje é um custo alto no transporte coletivo — afirma.
Função deve praticamente desaparecer
O processo de retirada gradual dos cobradores começou há cerca de quatro anos e deve avançar ainda mais até o fim de 2026. A extinção total, porém, não deve ocorrer de forma imediata.
Segundo Guimarães, parte dos profissionais remanescentes está próxima da aposentadoria ou possui estabilidade prevista em lei, como integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipa) e representantes sindicais.
— Não vamos conseguir eliminar todos no dia 31 de dezembro. Tem alguns que estão perto de se aposentar, outros com estabilidade sindical ou por Cipa. Não haverá eliminação na virada, mas o número vai diminuir significativamente. Se nós tivéssemos hoje mais 160 cobradores, a tarifa já estaria na casa dos R$ 7 — projeta o diretor.
De acordo com o CTCP, os 88 cobradores representam atualmente cerca de 4% do custo operacional do sistema. Segundo os cálculos do consórcio, isso equivale a aproximadamente R$ 0,30 da tarifa atual, fixada em R$ 6,25.
Encolhimento do sistema

O encolhimento da função acompanha a redução do próprio transporte coletivo em Pelotas. Há dez anos, os ônibus transportavam cerca de 2,2 milhões de passageiros pagantes por mês. Hoje, esse número não chega a 1 milhão, uma queda superior a 55%.
Para Guimarães, a diminuição da demanda está relacionada a mudanças no comportamento da população e ao crescimento de alternativas de deslocamento.
— O comércio virtual e o trabalho virtual mudaram o cenário — analisa Guimarães.
Além da redução no número de usuários, a estrutura do sistema também diminuiu. Em 2016, a frota era composta por 222 ônibus. Atualmente, circulam 145 veículos. O número de trabalhadores caiu de cerca de mil para menos de 500.
Mudança de função reduziu impacto social
Segundo o CTCP, a redução do quadro de cobradores ocorreu principalmente por aposentadorias, acordos trabalhistas e desligamentos voluntários.
O consórcio também firmou uma parceria com o Sest Senat para oferecer cursos gratuitos de mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), permitindo que antigos cobradores se tornassem motoristas. O programa incluiu isenção de taxas do Detran e possibilitou que dezenas de trabalhadores permanecessem empregados nas empresas do transporte coletivo.
Comparação do transporte em Pelotas (2016 - 2026)
- Passageiros mensais: Eram 2,2 milhões - hoje são menos de 1 milhão (45% do que era)
- Frota em circulação: Era de 222 ônibus - hoje são 145 veículos
- Total de trabalhadores: Eram cerca de mil colaboradores - hoje são menos de 500
- Número de cobradores: Eram quase 400 - hoje restam 88 cobradores
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