Da lavoura direto para a merenda escolar. Em Rio Grande, alimentos produzidos por agricultores familiares do município passaram a abastecer diretamente as escolas da rede municipal por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A iniciativa reduz a distância entre a produção e o consumo, garante produtos mais frescos aos estudantes e amplia a geração de renda no campo.
Neste ano, 36 produtores rurais participam do programa, a maioria mulheres. Eles fornecem hortaliças e legumes como brócolis, couve-flor, alface, cebola, abóbora, beterraba e batata-doce para 89 escolas. O investimento previsto em 2026 é de R$ 753 mil.
Segundo a extensionista rural da Emater-RS/Ascar, Josiane Lottermann, as entregas começaram em maio e já refletem tanto na alimentação dos estudantes quanto na comercialização da produção local.
— Os produtos chegam recém-colhidos às escolas. Isso melhora a alimentação das crianças e também cria uma oportunidade de renda para os agricultores — afirma.
Da propriedade rural para a escola

O fornecimento ocorre por meio de chamadas públicas promovidas pelo município. A partir da demanda da rede de ensino, os agricultores são orientados pela Emater, firmam contratos com valores previamente estabelecidos e fazem entregas semanais diretamente nas escolas.
Além de incentivar a agricultura familiar, o modelo reduz etapas da cadeia de distribuição, o que contribui para preservar a qualidade dos alimentos.
Na rede municipal, são servidas cerca de 18 mil refeições por dia, entre café da manhã, almoço e lanches.
— Quanto mais fresco o alimento, maior tende a ser seu valor nutricional. É uma produção que sai praticamente do campo para a mesa dos estudantes — destaca a coordenadora do Núcleo de Alimentação Escolar, Paula Fonseca.
Nova fonte de renda para agricultores
Para muitos produtores, o programa representa a possibilidade de comercializar alimentos que antes eram destinados apenas ao consumo da própria família ou vendidos de forma limitada.
É o caso da agricultora Sônia Mendonça, da localidade da Palma, que passou a fornecer produtos para a rede municipal.
— Foi muito importante para nós. Hoje temos um lugar para vender nossa produção. Antes, plantávamos mais para o consumo da família — conta.
Ela trabalha ao lado do marido e do filho. Segundo a Emater, o programa prioriza a participação de mulheres e jovens, o que explica a predominância feminina entre os fornecedores.
Produtos frescos para os estudantes

Os alimentos produzidos no município também mudaram a rotina das cozinhas escolares. Na Escola Professor Valdir Castro, que atende 233 alunos em turno integral, legumes e verduras locais fazem parte das cinco refeições servidas diariamente.
A merendeira Marciane Coelho de Souza afirma que a qualidade dos produtos é percebida no preparo e também na aceitação pelos estudantes.
— Recebemos cenoura, brócolis, couve-flor, cebola, repolho e tempero verde. São alimentos que usamos bastante, e as crianças gostam. O brócolis com ovo e a couve-flor fazem sucesso — relata.
Município quer ampliar programa
A prefeitura estuda ampliar a lista de alimentos adquiridos da agricultura familiar. Entre as possibilidades estão a compra de suco de uva integral e a inclusão de pescados na alimentação escolar.
Atualmente, cerca de 22% dos recursos do PNAE destinados à agricultura familiar permanecem com produtores de Rio Grande. A expectativa é ampliar essa participação nos próximos anos, conforme aumente a capacidade de produção local.
— Hoje conseguimos absorver toda a produção que os agricultores ofertam. A expectativa é ampliar essa participação à medida que eles aumentem a produção — afirma Paula Fonseca.
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