
O Porto do Rio Grande recebeu cerca de 3,1 mil embarcações ao longo de 2025, consolidando a retomada das operações após os impactos provocados pelas enchentes de 2024. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (18) durante o programa Chamada Geral, da Rádio Gaúcha Zona Sul, realizado na sala de operações do porto, considerada o centro de monitoramento das atividades portuárias.
Segundo o diretor de Operações da Portos RS, Bruno Almeida, o número considera todas as embarcações que chegaram ao complexo portuário rio-grandino ao longo do ano. Somando os portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, administrados pela estatal, a movimentação alcançou quase 4 mil embarcações.
— Em Rio Grande, foram 3,1 mil embarcações. Quando somamos os três portos administrados pela Portos RS, chegamos a quase quatro mil embarcações operando no complexo — afirmou.
De acordo com Almeida, os números refletem a recuperação da movimentação de cargas após a enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024.
"Existe um movimento para aproximar as comunidades"
O diretor institucional da Portos RS, Sandro Oliveira, destacou os resultados do projeto Minha Cidade Tem Um Porto, criado para aproximar a população das atividades portuárias.
A iniciativa promove visitas guiadas, atividades educativas e ações voltadas principalmente para estudantes da região.
— Os portos sempre olharam muito para dentro dos seus muros. Hoje existe um movimento para aproximar as comunidades e mostrar o que acontece aqui dentro. Quando as pessoas chegam ao porto e veem o tamanho dos navios e da infraestrutura, entendem de fato a sua importância — afirmou.
De acordo com Oliveira, praticamente toda a rede municipal e estadual de ensino da região já participou das atividades promovidas pelo projeto.
— Hoje temos a certeza de que a relação do Porto com Rio Grande, São José do Norte e toda a região Sul melhorou muito. Nosso trabalho é fazer com que o Porto se aproxime das comunidades e as comunidades se aproximem do Porto — disse.
O diretor citou ainda experiências vividas durante visitas às escolas. Em um dos encontros mais recentes, estudantes apresentaram sugestões relacionadas à infraestrutura utilizada por caminhoneiros que acessam o complexo portuário.
Para Oliveira, o interesse demonstrado pelos alunos evidencia que o porto passou a integrar as discussões dentro das salas de aula e da rotina das famílias da região.
— Muitos sabem que o Porto é importante, mas não têm dimensão do quanto ele impacta a vida das pessoas. Tudo gira em torno do Porto. Mesmo quem não tem ligação direta com a atividade portuária é impactado diariamente. Noventa e cinco por cento do comércio mundial é feito por navios — ressaltou.
Sistema de monitoramento por radar
Desde o ano passado, a Portos RS está implantando o Vessel Traffic System (VTS), sistema de monitoramento do tráfego marítimo por radar que permitirá maior controle das embarcações e mais precisão na fiscalização das operações.
A tecnologia será utilizada para acompanhar o fluxo de navios no canal de acesso ao porto e ampliar a segurança da navegação.
— São bastantes atracações e isso é uma das motivações desse nosso novo sistema que a gente está implementando este ano — complementou Almeida.
Dragagens já alcançam 65% do volume previsto
Outro tema abordado durante o programa foi o avanço das dragagens nas hidrovias gaúchas.
Segundo o diretor de Infraestrutura da Portos RS, Lucas Cardoso, cerca de 13 milhões de metros cúbicos de sedimentos já foram removidos dos canais de navegação, o equivalente a aproximadamente 65% do volume previsto no programa estadual de recuperação das hidrovias.
Atualmente, três frentes de trabalho atuam simultaneamente em diferentes trechos. As obras buscam restabelecer as condições de navegabilidade afetadas pelas enchentes de 2024 e garantir o escoamento de cargas para os portos gaúchos.O diretor de Meio Ambiente da Portos RS, Henrique Ilha, explicou que todo o material retirado durante as dragagens é destinado a áreas previamente licenciadas e monitoradas ambientalmente.
No caso do Porto do Rio Grande, os sedimentos são depositados em uma área localizada a cerca de 20 quilômetros da costa. Já nas hidrovias interiores, o descarte ocorre em pontos afastados dos canais para evitar novos processos de assoreamento.
— Aqui em Rio Grande, por exemplo, estabelecemos uma área de despejo a cerca de 20 quilômetros da costa. Uma profundidade muito segura, uma distância segura. O navio sai daqui, da frente de onde estamos, navega cerca de 10 quilômetros até ultrapassar os molhes e segue mais 20 quilômetros mar adentro. Ao todo, o material é depositado a aproximadamente 30 quilômetros do porto — explicou.
Segundo Ilha, as operações contam com monitoramento permanente, incluindo análises da qualidade da água, da fauna, da flora e da dispersão dos sedimentos.
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