
O nível da Lagoa dos Patos chegou a 85 centímetros na noite de domingo (15) e ultrapassou a cota de inundação em Rio Grande, fixada em 80 centímetros. A elevação provocou alagamentos em áreas ribeirinhas da cidade e acendeu o alerta para um possível agravamento da situação.
Poucas horas depois, porém, a água começou a recuar. Às 22h do mesmo dia, o nível já havia baixado para 71,8 centímetros. Na terça-feira (16), a medição realizada pelo Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex-Furg) apontava apenas 34 centímetros, menos da metade da cota de inundação.
Segundo especialistas, a rápida oscilação está relacionada à atuação dos ventos sobre a lagoa e ao comportamento do escoamento da água pela Barra do Rio Grande, principal ligação entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico.
De acordo com a coordenadora do Ciex-Furg, Elisa Fernandes, a elevação registrada no domingo foi consequência de uma sequência de dias com ventos do quadrante sul de intensidade moderada.
— A inundação ocorreu em função de uma sequência de dias de ventos do quadrante sul de intensidade moderada. Estes ventos dificultam os fluxos de vazante e favorecem os fluxos de enchente no estuário, gerando níveis mais altos principalmente em Rio Grande e São José do Norte — explica.
Como os ventos influenciam?
A Barra do Rio Grande funciona como a principal saída da água da Lagoa dos Patos em direção ao Oceano Atlântico. Em condições normais, o escoamento ocorre de forma contínua, permitindo que os níveis da lagoa permaneçam estáveis.
Quando ventos do quadrante sul atuam por vários dias consecutivos, esse fluxo natural é dificultado. Com menos água conseguindo sair pela barra, ocorre um represamento temporário dentro do estuário, elevando os níveis principalmente em Rio Grande e São José do Norte.
O fenômeno não está relacionado a chuvas intensas na região, mas sim à ação dos ventos sobre a dinâmica da lagoa.
— A cota atual já está bem abaixo da cota de inundação e deverá permanecer assim nos próximos dois dias porque os ventos do quadrante sul enfraqueceram — afirma Elisa Fernandes.
Bairros mais vulneráveis são os primeiros afetados
Quando há elevação do nível da lagoa, os primeiros impactos costumam ser registrados em áreas mais baixas e próximas aos corpos hídricos.
Entre os locais historicamente mais suscetíveis estão a região da Rua Henrique Pancada e os bairros São Miguel, Mangueira, Navegantes e Lar Gaúcho.
Nessas áreas, pequenas variações no nível da água já podem provocar alagamentos pontuais devido à baixa altitude do terreno e à proximidade com o estuário.
Por isso, esses bairros são monitorados com atenção pelos órgãos de defesa civil sempre que há previsão de ventos persistentes ou elevação da lagoa.
Cenário é diferente da enchente histórica de 2024
Apesar de a lagoa ter ultrapassado temporariamente a cota de inundação no domingo, especialistas destacam que o cenário atual é muito diferente do registrado durante a enchente histórica de maio de 2024.
Na ocasião, além da influência dos ventos, houve um volume excepcional de chuvas em grande parte do Rio Grande do Sul, provocando aumento expressivo da vazão dos rios que deságuam na Lagoa dos Patos.
Segundo a Defesa Civil, não há indicativos, neste momento, de uma nova inundação. A tendência para os próximos dias é de manutenção dos níveis abaixo da cota, acompanhando o enfraquecimento dos ventos que contribuíram para a elevação temporária da água no fim de semana.
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