Quem passa pela Avenida Atlântica, no Balneário Cassino, já acompanha o surgimento de uma nova obra de arte inspirada em um dos principais símbolos da fauna marinha da região.
O boto-de-Lahille está sendo retratado em um mural de 165 metros quadrados na sede da Sociedade Amigos do Cassino (SAC), em uma iniciativa da ONG Kaosa que integra a programação do Dia Mundial dos Oceanos, celebrado neste 8 de junho.
A obra é assinada pelo artista plástico ambiental Alexandre Huber, de Santos (SP), que há mais de uma década desenvolve trabalhos voltados à valorização da biodiversidade marinha em diferentes regiões do litoral brasileiro.

Huber iniciou a pintura na quarta-feira (3). O trabalho ocorre com acompanhamento da equipe da ONG Kaosa.
— Por meio desse grande mural, vamos compartilhar a riqueza das águas de Rio Grande, toda a fauna marinha e destacar o astro da cidade, que é o boto. A ideia é que (...) ela transmita a beleza desses animais e desperte a curiosidade das pessoas sobre a importância de protegê-los — afirma o artista.
Arte como ferramenta de educação ambiental
Ao longo da carreira, Huber transformou muros em painéis dedicados à vida marinha em diferentes cidades do litoral brasileiro. O trabalho combina arte urbana e educação ambiental, retratando espécies como baleias, tartarugas, raias e golfinhos.
— Comecei esse projeto em 2009. Sou de Santos, mas já pintei mais de 100 painéis pelo litoral brasileiro. Estou aqui a convite da ONG Kaosa e a proposta é usar a arte para aproximar as pessoas dos oceanos e fortalecer essa relação de pertencimento. Queremos que alguém passe por aqui e saiba que Rio Grande é a cidade dos botos — acrescenta.
Espécie é símbolo de Rio Grande
Reconhecido como patrimônio natural e cultural de Rio Grande desde 2023, o boto-de-Lahille (Tursiops gephyreus) é uma espécie encontrada apenas nas águas costeiras do Brasil, Uruguai e Argentina.
Classificado como ameaçado de extinção, o mamífero possui uma população estimada em cerca de 600 indivíduos, dos quais entre 90 e 100 são observados anualmente na região do estuário da Lagoa dos Patos.
A espécie pode atingir até quatro metros de comprimento, pesar cerca de 500 quilos e viver por até 45 anos.
Segundo Pedro Fruet, integrante da ONG Kaosa e um dos responsáveis pela iniciativa, o mural busca fortalecer a identificação da população com um animal que faz parte da história natural do município.
— Nossa iniciativa surgiu em função do Dia Mundial dos Oceanos. Rio Grande abriga uma das espécies mais emblemáticas da região, o boto-de-Lahille, que está ameaçado de extinção e possui uma população estimada em apenas cerca de 600 indivíduos. Muitas pessoas convivem com esse patrimônio natural sem conhecer sua importância — afirma.

Além da pintura do mural, a programação organizada pela ONG Kaosa inclui oficinas de arte em duas escolas de Rio Grande — uma da rede municipal e outra da estadual — e uma palestra voltada a professores.
As atividades ocorrem durante a semana em que são celebrados o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, e o Dia Mundial dos Oceanos, em 8 de junho.
— Já temos esculturas do boto instaladas na cidade e agora teremos também esse mural. Queremos ampliar o alcance da mensagem e estimular a conscientização ambiental por meio da arte — destaca Fruet.
A vinda de Alexandre Huber a Rio Grande foi viabilizada pela ONG Kaosa com recursos da Whitley Fund for Nature, do Reino Unido, da Yaqu Pacha, organização sediada na Alemanha, e da Sementes Aliança.
A iniciativa conta ainda com apoio da Sociedade Amigos do Cassino, que cedeu o espaço para a pintura, e da prefeitura de Rio Grande.
— Queremos que esse espaço seja revitalizado e que Rio Grande olhe cada vez mais para o oceano, para a economia azul e para a preservação ambiental. Esse projeto só está sendo possível graças ao apoio dos nossos parceiros — conclui Fruet.
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