
Três de estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nossa Senhora de Lourdes, em Pelotas, desenvolveram um protótipo de robô capaz de auxiliar idosos e pacientes na administração de medicamentos. Batizado de Robô Lembrete, o equipamento emite alertas sonoros, acende uma luz de aviso e libera automaticamente o acesso ao remédio no horário programado.
O projeto foi criado pelas alunas Sara Machado, Anthonela Xavier e Marina Costa, do 9º ano, com orientação do professor Cleber Garcia, no Laboratório Maker da escola. A iniciativa será apresentada nos dias 9 e 10 de julho, durante o Robopel 214, evento promovido pelo Pelotas Parque Tecnológico voltado à robótica, programação e inovação.
A ideia surgiu durante as férias de verão. Antes do recesso, o professor propôs que os estudantes retornassem às aulas com sugestões de projetos para desenvolver ao longo do ano. Após pesquisar soluções semelhantes, Sara apresentou a proposta do robô.
— Encontrei um projeto parecido, desenhei o modelo durante as férias e apresentei para o professor quando voltaram as aulas — conta a estudante.

Trabalho dividido entre as integrantes
Depois da aprovação da ideia, cada integrante assumiu uma etapa do desenvolvimento.
Sara e Marina ficaram responsáveis pela estrutura física do equipamento, incluindo a montagem, a pintura e o mecanismo de abertura da gaveta onde o medicamento é armazenado.
Já Anthonela desenvolveu a programação e a parte eletrônica do robô.
— Programar exige bastante atenção. Fiz muitas pesquisas e consultei fóruns para entender como cada componente funcionava e fazer tudo operar corretamente — explica.
Como funciona o equipamento?
O equipamento é programado previamente por um familiar ou cuidador com os horários em que os medicamentos devem ser administrados.
Quando chega o momento da dose, o robô dispara um alerta sonoro, aciona uma luz intermitente e exibe instruções em um visor LCD. Após o usuário pressionar um botão, uma gaveta é aberta automaticamente, permitindo retirar o medicamento armazenado.
O protótipo foi desenvolvido com um controlador Arduino e possui apenas um compartimento para remédios.
Protótipo pode ganhar novas versões
Segundo o professor Cleber Garcia, a opção por uma única gaveta foi estratégica para comprovar o funcionamento da ideia antes de partir para versões mais complexas.
— É um protótipo. Poderíamos tentar fazer um equipamento maior, com várias gavetas, mas o objetivo era mostrar que o sistema funciona e que elas conseguem desenvolver essa tecnologia — afirma.

Hoje, a estrutura utiliza uma embalagem reciclada de filamento para caneta 3D. A intenção das estudantes é substituir o material por uma caixa de madeira produzida por elas, aproximando o equipamento do projeto idealizado inicialmente.
Laboratório incentiva projetos científicos
O Robô Lembrete foi desenvolvido no Laboratório Maker da escola, implantado por meio do programa Mais Ciência na Escola. O espaço reúne impressoras 3D, kits de robótica e ferramentas que permitem aos estudantes desenvolver protótipos e colocar ideias em prática.
Além da experiência na área de tecnologia, as três estudantes receberam bolsas de iniciação científica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com duração de um ano.
Para o professor, o projeto representa uma oportunidade inédita para as alunas iniciarem a trajetória acadêmica ainda no ensino fundamental.
— Ter uma bolsa do CNPq nessa etapa da formação é algo muito significativo. Elas têm interesse pela área científica e nosso objetivo é oferecer condições para que continuem desenvolvendo esse potencial — afirma.
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