
A Zona Sul registrou 12,5 mil descargas elétricas durante a tempestade da última sexta-feira (1º), conforme dados da Catavento Meteorologia. Segundo o levantamento, na região do Rio Grande do Sul, Pelotas e Rio Grande concentraram 343 ocorrências.
O temporal provocou prejuízos e mobilizou equipes de atendimento nos municípios. Em Rio Grande, uma residência foi atingida por um raio e pegou fogo. Também houve registro de uma morte relacionada à descarga elétrica.
De acordo com a meteorologista Natália Pereira, CEO da Catavento, a instabilidade foi provocada pela chegada de uma frente fria ao Rio Grande do Sul.
— Nós tivemos algo em torno de 12.500 raios contabilizados pelo nosso sistema, e eles são considerados dentro do padrão esperado para esse tipo de ocorrência. Neste final de semana, nós tivemos a entrada de uma frente fria aqui no Estado, que foi a responsável por esses temporais e essas descargas elétricas — explica.
Segundo a especialista, embora o fenômeno seja comum nesta época do ano, as condições atmosféricas podem intensificar os temporais.
Natália destaca ainda que o atual cenário climático favorece episódios mais severos devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que indica possibilidade de formação do fenômeno El Niño, conhecido por alterar padrões atmosféricos em diferentes regiões.
As características geográficas também influenciam na distribuição das descargas elétricas.
Conforme a meteorologista, regiões como sul, oeste e centro do Estado costumam registrar maior incidência por serem as primeiras áreas atingidas pelas frentes frias que avançam pelo território gaúcho.
— As frentes frias entram de forma mais lenta, permanecem mais tempo sobre o Estado e acabam provocando chuvas mais intensas e sistemas maiores, com um número maior de descargas elétricas — detalha Natália.
O que causa o trovão?
Além dos impactos práticos, o fenômeno chama atenção pelas características físicas extremas.
A energia liberada por um raio pode atingir temperaturas muito superiores às encontradas em ambientes naturais na Terra.
Segundo a meteorologista, esse aquecimento ocorre quase instantaneamente e é responsável pelo trovão.
A rápida expansão do ar ao redor da descarga elétrica gera o som característico ouvido após o clarão.
— A temperatura pode chegar a 30 mil graus Celsius, cerca de cinco vezes mais quente do que a superfície do sol. O calor acontece em uma fração de segundo, fazendo o ar se expandir de forma violenta, o que gera o barulho que a gente escuta — comenta.
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