
Caminhar pelas ruas do Centro de Pelotas, entre a Dom Pedro II e a Marechal Deodoro, costuma ser apenas parte da rotina para quem circula diariamente pela região. Para um grupo de estudantes da Escola de Ensino Médio SESI Eraldo Giacobbe, porém, cada placa de esquina representa uma oportunidade de investigar e divulgar a história da cidade.
Desenvolvido por alunos do terceiro ano, o projeto Caminhando por Pelotas busca democratizar o acesso à história local e foi selecionado para a fase presencial da Feira Brasileira de Iniciação Científica (FEBIC), que será realizada em Joinville (SC).
A iniciativa surgiu a partir de uma inquietação em sala de aula: apesar de reconhecerem a relevância histórica de Pelotas, muitos moradores desconhecem personagens, acontecimentos e contextos ligados à formação da cidade.
— Notamos que as pessoas reconheciam que a história de Pelotas era importante, mas não sabiam o que era essa história, como ela aconteceu. O trabalho entra justamente para trazer documentos de forma acessível, com um linguajar que não seja totalmente acadêmico — explica João Barcellos, um dos integrantes do grupo.

Pesquisa sobre nomes das ruas
O foco atual do projeto está na toponímia, área que estuda a origem e o significado dos nomes dos lugares. A partir disso, os estudantes investigam quem são as personalidades que dão nome às ruas de Pelotas e como essas trajetórias se conectam à história do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Como resultado, o grupo pretende desenvolver um mapa interativo com vídeos explicativos sobre cada via pesquisada.
— É uma pesquisa das ruas, do porquê elas têm esse nome e de como se interligam com a história do país a partir de Pelotas. Queremos que todos possam acessar esse mapa e entender essa conexão — projeta Barcellos.
Segundo o professor de História e orientador do projeto, João Armas, a proposta busca aproximar a produção acadêmica da comunidade.
— A academia tem uma produção profícua, mas que muitas vezes não sai de seus muros. A lógica do projeto é provocativa: trazer esse conhecimento com rigor metodológico, mas em uma linguagem da juventude — afirma.
Reconhecimento nacional
O Caminhando por Pelotas é um dos três projetos da escola aprovados para a etapa nacional da FEBIC.
Além da pesquisa, os estudantes promovem oficinas e rodas de conversa em escolas das redes pública e privada, compartilhando conteúdos sobre a história local também por meio das redes sociais.
Para os alunos, o reconhecimento nacional representa o encerramento de um ciclo importante.
— É o nosso último ano concorrendo e decidimos divulgar mais o projeto para incentivar outros alunos que se interessam pelo tema — conclui Barcellos.
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