
Fotos hiper-realistas, vídeos manipulados e conteúdos gerados por inteligência artificial têm tornado cada vez mais difícil identificar o que é verdadeiro na internet. Em Pelotas, um projeto da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) tem levado esse debate para dentro das escolas públicas, com oficinas voltadas ao pensamento crítico de crianças e adolescentes.
A iniciativa busca ensinar estudantes a reconhecer imagens produzidas por IA, conteúdos manipulados e publicações fora de contexto, além de discutir os impactos da desinformação nas redes sociais.
— A gente tem trabalhado nas escolas buscando instrumentalizar os adolescentes sobre como eles conseguem identificar quando algo é verdadeiro, quando está fora de contexto ou se foi produzido por inteligência artificial — explica a professora da UFPel Silvia Meirelles.
Durante as oficinas, os alunos analisam exemplos de vídeos e imagens que circulam frequentemente nas redes sociais. A proposta é estimular a observação de detalhes e a reflexão antes do compartilhamento de conteúdos.

A Escola Estadual Padre Rambo, em Pelotas, é uma das instituições que recebem o projeto. Para a diretora Patrícia Pedroso, o tema faz parte da realidade dos estudantes desde cedo.
— Eles são filhos da internet, como a gente costuma brincar. Então precisam desse amparo para entender o que pode, o que é legal e o que não é legal dentro desse ambiente — afirma.
Mesmo entre adolescentes acostumados com tecnologia e redes sociais, diferenciar conteúdos reais de montagens nem sempre é simples. Durante uma das atividades, a estudante do oitavo ano Veridiana da Silva acabou confundindo uma imagem manipulada.
— Ela parecia muito realista. Acabamos confundindo justamente porque parecia uma foto de verdade — relata.
Segundo Silvia, um dos maiores desafios está relacionado ao impacto emocional causado pelas publicações.
— Quando algo mexe com a emoção, a reação do adolescente costuma ser intensa. Por isso, a gente orienta: para, respira e pensa se aquilo realmente faz sentido antes de compartilhar — explica.
A professora afirma que a leitura contextual é uma das principais ferramentas para identificar conteúdos falsos.
— Quando começamos a estimular esse olhar crítico, eles conseguem perceber: isso pode ser inteligência artificial, isso pode não ser real — diz.
Além de aprender a identificar conteúdos manipulados, muitos estudantes também passam a compartilhar esse conhecimento com familiares e amigos.
— Muitas pessoas acabam se enganando, principalmente os mais idosos. Eu procuro me informar bastante para ajudar quem não entende muito desse assunto — conta a estudante Bárbara Goulart, também do oitavo ano.
O projeto integra ações de educação midiática e digital desenvolvidas pela universidade e deve seguir com oficinas em outras escolas da rede pública de Pelotas.
*Com orientação e supervisão de Luiza La Rocca


