
Um levantamento da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) apontou que um em cada três docentes da instituição atua formalmente em atividades ligadas à inovação. O estudo identificou 453 professores com registros documentados em ações como depósito de patentes, desenvolvimento de softwares, transferência de tecnologia e projetos realizados em parceria com empresas.
O mapeamento foi realizado pela Superintendência de Inovação e Desenvolvimento Interinstitucional e cruzou dados do Portal Institucional da universidade, do Sistema Cobalto e da Plataforma Lattes.
Segundo a UFPel, o objetivo do levantamento é dar visibilidade a iniciativas que já acontecem de forma descentralizada nos laboratórios e grupos de pesquisa, sem caráter de ranqueamento individual.
— A gente tem observado que esse número de pessoas atuando com linhas de inovação vem aumentando ao longo do tempo. Nos últimos três anos, cresceram bastante os contratos de parceria com empresas — afirma o superintendente de Inovação da UFPel, Vinicius Farias Campos.
Mapeamento surpreendeu a própria universidade
Para fins de análise, os 1.384 docentes da universidade foram organizados em três grupos.
O chamado Nível 1, considerado de evidência forte, reúne os 453 professores com produção formalizada em inovação — o equivalente a 32,7% do total.
Já o Nível 2 concentra 329 docentes (23,8%) com atividades aplicadas relacionadas ao tema, mas que ainda não resultaram em registros formais.
Os demais professores foram classificados no Nível 3, definido como uma fronteira de prospecção para futuras análises.
De acordo com Campos, o volume identificado superou as expectativas da própria gestão universitária.
— A gente achava que esse número era bem menor. Chegamos nesse resultado e nos surpreendeu positivamente. Mais ou menos um terço dos docentes está envolvido com inovação — destaca.
Avanço é atribuído a políticas implementadas
Segundo a universidade, o crescimento está relacionado a políticas desenvolvidas nos últimos anos, como a criação da Política de Inovação da UFPel, em 2019, a estruturação da superintendência voltada ao setor e a implantação da Unidade Embrapii InovaAgro, em 2021.
A articulação com o Pelotas Parque Tecnológico também é apontada como um dos fatores que fortaleceram o ecossistema de inovação ligado à universidade.
O avanço também se reflete nos indicadores de propriedade intelectual. Conforme dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) divulgados em 2025, a UFPel ocupa a 16ª posição no ranking nacional de depositantes de patentes de invenção.
— Desde 2021, a UFPel vinha sendo a universidade que mais registrava no Estado e agora está entre as que mais registram no sul do país. A gente trabalha constantemente para estimular isso internamente — afirma Campos.
Desafio é ampliar participação
Com o diagnóstico concluído, a universidade pretende agora ampliar o número de professores inseridos nas atividades formais de inovação.
A meta, segundo a gestão, é criar estratégias para aproximar os docentes que já desenvolvem ações aplicadas, mas ainda não transformaram esses projetos em registros formais.
— A gente já identificou onde há potencial de expansão. Agora o trabalho é estimular esse outro grupo a também se integrar a esse movimento nos próximos meses e anos — projeta o superintendente.
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