
Passados dois anos da maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul, as estruturas que impediram que parte da área urbana de Pelotas fosse tomada pelas águas do Canal São Gonçalo estão no centro de um plano de modernização.
O sistema de diques do município, composto por barreiras de terra compactadas e casas de bombas, resistiu, em parte, à marca histórica de 2024, mas revelou gargalos — principalmente no Laranjal — que o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) pretende corrigir com novos investimentos.
O coordenador do setor de Projetos Especiais do Sanep, Raul Odone, detalha o funcionamento dessas estruturas e o que precisar mudar para garantir que a cidade siga protegida.
O principal pilar de defesa é o dique da Estrada do Engenho. Construído em 1965, ele percorre o trajeto entre a ponte da BR-392 e a Avenida Ferreira Viana. Com 4 metros de altura, a barreira de solo compactado evitou que as águas do São Gonçalo invadissem a zona baixa da cidade em maio de 2024.

Para que o sistema funcione, o dique atua em conjunto com casas de bombas, que expulsam a água da chuva da cidade para o canal. As bombas ficam no Anglo (em frente ao campus da UFPel), na Casa Leste (próximo ao antigo Engenho Pedro Osório) e outra perto da ponte Pelotas - Rio Grande. Como a zona urbana é mais baixa que o nível do canal em cheia, as bombas elevam a água por cima do dique.
— O dique sofreu pequenas baixas na cota, estando hoje em 3,75m, causadas principalmente pelo tráfego de veículos sobre a estrutura. Precisamos corrigir isso para garantir que ele volte ao nível de segurança original — afirma Odone.
A proposta faz parte de um plano estadual de reestruturação e será realizada via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Sanep e Secretaria de Urbanismo trabalham na conclusão do projeto que ainda não tem valor definido.
Urbanização e Lazer

Além da segurança, o município projeta dar uma nova face ao dique da Estrada do Engenho. A ideia é aproveitar a estrutura para criar um parque com espaços de convivência.
— Pensamos em devolver isso para a população com ciclovias e parques, transformando o dique em uma área de lazer similar à orla do Guaíba, em Porto Alegre — revela o engenheiro.
A lição do Laranjal e do Balneário Valverde

Se a zona urbana teve uma boa proteção e espera a chegada de recursos, o Laranjal viveu um cenário diferente há dois anos. O dique que protege o Balneário Valverde sofreu rupturas e a casa de bombas local ficou inoperante ao ser submersa.
— O grande gargalo foi a casa de bombas. Ela ficou embaixo d'água e tivemos que esperar o nível baixar para começar a drenar o bairro — explica Odone. O plano agora é construir a nova estrutura em um ponto mais elevado.
No Laranjal, o plano de investimentos é mais robusto e imediato, totalizando cerca de R$ 30,5 milhões para sanar as vulnerabilidades expostas na última cheia.
A maior parte deste valor, R$ 17,5 milhões compostos por R$ 15,7 milhões vem através do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e R$ 1,7 milhão de contrapartida municipal, destinada ao reforço estrutural e reconstrução do dique do Balneário Valverde.

Outros R$ 13 milhões serão aplicados na construção de uma nova casa de bombas em um ponto mais elevado, evitando que o sistema de drenagem fique inoperante ao ser submerso, como ocorreu em 2024. As obras devem ser iniciadas após a liberação dos recursos estaduais, com previsão de execução em até 12 meses.
O Sanep trabalha nos últimos detalhes orçamentários solicitados pelo comitê técnico do Estado. A expectativa é que os editais para as obras do Laranjal sejam publicados nos próximos dias, utilizando o modelo de licitação integrada para acelerar a execução.
Fique informado sobre o que acontece na região sul do Estado! Siga @gzhzonasul no Instagram e no Facebook, e inscreva-se no canal do WhatsApp para receber notícias em seu celular: gzh.rs/canalgzhzs.



