
O documentário 8 de Janeiro: memória, restauração e democracia, produzido pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), será exibido nesta quarta-feira (20) em Portugal, durante a abertura das Jornadas Cinema em Português, promovidas pela Universidade da Beira Interior, na cidade da Covilhã.
A produção retrata o processo de restauração de obras de arte e bens culturais vandalizados durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Após a sessão, o diretor do filme, Michael Kerr, professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFPel, participa de uma mesa-redonda sobre os bastidores da produção e o trabalho de documentação do restauro das peças atingidas.
— O documentário começou a circular internacionalmente agora em 2026. Essa exibição em Portugal representa um reconhecimento importante ao trabalho realizado pela universidade e por toda a equipe envolvida — afirma Kerr.
O filme foi desenvolvido a partir de uma iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e acompanha o trabalho realizado pelo Laboratório Aberto de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFPel (Lacorpi), responsável pela recuperação de obras danificadas nos ataques aos prédios dos Três Poderes.
Ao longo de 2024, a equipe realizou cinco viagens a Brasília para registrar diferentes etapas do processo de restauração. As gravações acompanharam o trabalho coordenado pelas professoras Andréa Lacerda Bachettini e Karen Velleda Caldas, do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da universidade.
Segundo Kerr, além de documentar procedimentos técnicos, o longa propõe uma reflexão sobre memória, patrimônio e democracia.
— Nós acompanhamos pessoas que estavam lidando não apenas com obras danificadas, mas com símbolos da democracia brasileira. O documentário registra esse processo de reconstrução material e também simbólica — explica.
O restauro das peças vandalizadas foi realizado em um laboratório montado no Palácio da Alvorada. O projeto envolveu professores, pesquisadores e estudantes da UFPel e resultou na recuperação de 20 obras pertencentes ao acervo da Presidência da República.
O documentário foi lançado em Brasília em 8 de janeiro de 2025 e, desde então, percorreu diferentes cidades brasileiras com sessões e debates públicos. Além de Pelotas, Porto Alegre, Belo Horizonte e Belém receberam exibições da produção.
— É uma oportunidade de discutir, em outro país, como a preservação do patrimônio também está ligada à defesa da democracia e da memória coletiva — destaca Kerr.
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