
A rotina de quem vive na Rua Luiz Alves Pereira, no bairro Areal, em Pelotas, transformou-se em um teste diário de paciência e isolamento. Há cerca de quatro anos, a comunidade local convive com buracos profundos na via, esgoto a céu aberto, mau cheiro e o acúmulo constante de água que não escoa. O cenário de infraestrutura precária já provoca impactos diretos e graves na rotina, impedindo o acesso de serviços essenciais e complicando o deslocamento dos moradores.
O drama atinge de forma severa a dona de casa Isabel Cristina Hartwig. Ela relata que a degradação da via avançou a ponto de os motoristas de transporte por aplicativo se recusarem a entrar no trecho devido ao tamanho e à profundidade dos alagamentos.
— Isso já vem acontecendo há muito tempo, cada vez pior. Antes até o Uber aceitava vir aqui, agora não aceita mais por causa da água. Eles não sabem o tamanho da fundura e não entram. Tenho uma filha autista, toda hora eu preciso de transporte para levar ela nas triagens, nas coisas que ela precisa, e eles cancelam. Aí eu tenho que caminhar até lá ou chamar o próximo até alguém aceitar — desabafa Isabel.
O drama das cheias e os prejuízos nas calçadas
Segundo os relatos da vizinhança, o problema central está relacionado a um entupimento crônico no sistema de encanamento, o que impede a drenagem adequada da água da chuva. Mesmo com precipitações de baixa intensidade, o volume acumulado sobe rapidamente e ameaça invadir as residências.

Na casa de Jocelaine Oliveira, o nível da água é motivo de monitoramento constante. Ela conta que qualquer chuva leve faz com que a cheia quase passe pela porta da frente. Em um episódio recente, a moradora precisou usar uma vassoura para empurrar o fluxo e evitar que a residência fosse inundada.
Para piorar a situação, a extensão das poças d'água no meio da rua força os motoristas a cometerem infrações e manobras arriscadas. Condutores de carros e caminhões utilizam as calçadas para desviar do lamaçal. Esse tráfego indevido sobre os passeios públicos já está quebrando canos e danificando as caixas de inspeção de esgoto de diversas propriedades.
— Pode ver onde tem essa saída, isso aqui era tudo graminha, a rua era daqui para cá. Agora eles já estão chegando lá no poste de luz para não entrar na fundura da água. Aí estão acabando quebrando o meu esgoto ali para poder fugir da água, passando por cima — lamenta Isabel.
O que diz o município
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Serviços Urbanos informou que o problema enfrentado pela comunidade está diretamente associado à drenagem deficiente do local. A pasta explicou que os buracos surgem devido ao acúmulo cíclico de água sobre a pista de saibro, o que acelera o desgaste do solo.
A Secretaria garantiu que o ponto crítico já foi mapeado e incluído no cronograma de ações. Segundo o órgão municipal, uma equipe técnica será enviada ao endereço no início da próxima semana para realizar uma avaliação detalhada e definir as intervenções necessárias para resolver o escoamento.
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