
Um incêndio que atingiu uma residência no condomínio Veredas, no bairro Laranjal, em Pelotas, neste mês, acendeu o alerta sobre os perigos invisíveis que acompanham a busca por conforto térmico com a chegada dos dias mais frios no Estado. Apesar de ninguém ter ficado ferido na ocorrência, a casa teve danos materiais, e a principal suspeita é de que as chamas tenham começado em um calefator.
Com as temperaturas mais baixas já sendo registradas nas últimas semanas, o Corpo de Bombeiros tem reforçado as orientações sobre os cuidados necessários no uso de lareiras, calefatores e aquecedores elétricos. Segundo a corporação, a antecipação do uso dessas alternativas para aquecer os ambientes eleva o risco de acidentes causados por descuidos e falta de manutenção dos equipamentos.
O perigo oculto nas chaminés
De acordo com os bombeiros, um dos problemas mais comuns observados quando o frio começa a se intensificar está relacionado às lareiras tradicionais e ao acúmulo de fuligem nas chaminés devido ao longo tempo em que os aparelhos ficaram sem utilização.
— A gente nota que durante o período de frio as pessoas buscam conforto térmico e acabam recorrendo a algumas alternativas para se aquecer. Muitos incêndios acontecem justamente em razão desses descuidos no uso dos equipamentos — explicou o tenente do Corpo de Bombeiros, Fabrício Madruga.
Segundo o oficial, quando a limpeza da chaminé não é feita regularmente, a fuligem acumulada pode entrar em combustão e atingir temperaturas próximas de mil graus Celsius.
— Dependendo da posição da chaminé e do material ao redor, como madeira, isso já pode ser um indício de início de incêndio — alertou o tenente.
Cuidados com aquecedores na madrugada

Outro ponto de atenção destacado pela corporação são os aquecedores elétricos, muito acionados especialmente durante a madrugada. Entre os erros mais comuns estão deixar o aparelho ligado enquanto as pessoas dormem, posicioná-lo próximo de cortinas, tapetes, sofás e camas ou utilizar extensões e adaptadores conhecidos como benjamins ou "T".
— Esses equipamentos têm alta potência e consomem bastante energia elétrica. As extensões não são projetadas para isso e podem superaquecer, iniciando um incêndio — explicou Madruga.
A orientação das equipes de socorro é que o aquecedor seja ligado diretamente na tomada e nunca utilizado para secar roupas, toalhas ou cobertores.
— Muitas vezes as pessoas colocam uma toalha próxima ou em cima do aquecedor para secar. Com o tempo, aquele material vai aquecer até entrar em combustão — afirmou.
Os bombeiros também recomendam que a rede elétrica da residência seja revisada periodicamente por um profissional, especialmente em casas antigas ou com grande uso simultâneo de equipamentos elétricos.
Como usar lareiras ecológicas com segurança
O uso de lareiras ecológicas, cada vez mais comum nos últimos anos, também exige cuidados específicos. Os modelos funcionam com álcool e devem ser mantidos longe de materiais inflamáveis. Além disso, é importante evitar ambientes totalmente fechados para permitir a circulação mínima de ar. Outra recomendação vital é não reabastecer a lareira logo após o uso.
— O recipiente permanece muito quente. Se a pessoa colocar álcool logo em seguida, pode ocorrer uma ignição espontânea durante o abastecimento — explicou o tenente, orientando que o usuário deve aguardar entre 30 e 40 minutos antes de colocar novamente o combustível líquido.
O protocolo correto em caso de emergência
Em caso de princípio de incêndio, a recomendação do Corpo de Bombeiros é que as pessoas deixem imediatamente o local e não tentem salvar objetos ou móveis de valor.
— Muitas pessoas acabam tentando agir como heróis e isso pode custar vidas. O mais importante é sair do ambiente e acionar o corpo de bombeiros pelo telefone 193 — orientou a corporação.
Outra medida indicada pelas equipes de salvamento é desligar o disjuntor geral da residência, principalmente quando a emergência envolve aparelhos eletrodomésticos ou falhas nas instalações elétricas.
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