
A implantação de um sistema subaquático de energia elétrica entre Rio Grande e São José do Norte, pela Lagoa dos Patos, deve sanar um problema histórico do município: a instabilidade no fornecimento de energia.
Atualmente, a cidade conta com cerca de 15,2 mil clientes atendidos pela CEEE Equatorial e depende de uma única estrutura de distribuição, vulnerável às condições climáticas, principalmente aos ventos frequentes na região.
O novo projeto prevê investimento de R$ 43 milhões e a instalação de um circuito subaquático de 3,9 quilômetros, com início de operação previsto para abril. Com a ampliação, o município passará a contar com três alimentadores de energia, aumentando a capacidade e a segurança no abastecimento.
Diferente do modelo atual, a estrutura submersa não fica exposta a fenômenos climáticos, o que deve reduzir as oscilações e interrupções no fornecimento, problema recorrente para moradores e comerciantes.

A previsão é que a instalação da rede e cabines seja finalizada até o final de abril e, em seguida, entre em operação.
"Acabamos perdendo até eletrodomésticos"
Moradores relatam que os problemas no fornecimento ocorrem mais de uma vez na semana, dependendo do clima.
No comércio, a instabilidade impacta diretamente o funcionamento dos serviços. A proprietária de um lava-jato, Vanessa Costa, relata dificuldades para manter o trabalho diante das falhas constantes no sistema.

— Qualquer ventinho já faz a luz oscilar, e a gente não consegue trabalhar. Mesmo quando não falta, a oscilação impede de usar os equipamentos porque pode queimar tudo — afirma.
Além das perdas financeiras, os transtornos também atingem o dia a dia dentro de casa. Moradores relatam danos a eletrodomésticos e perda de alimentos, além da demora no restabelecimento da energia, especialmente em regiões mais afastadas.
— A gente acaba perdendo as coisas, eletrodoméstico que queima. E quando falta, demora bastante para voltar. No interior, já teve gente que ficou mais de dez dias sem luz — diz Vanessa.
Ivanir Santos dos Passos, morador da localidade do Caique, disse que é comum faltar energia na sua região, principalmente em dias de vento.
— Ontem mesmo passamos o dia sem energia. Começou com a luz em uma fase só, depois caiu tudo — contou para a reportagem.
No setor gastronômico, os prejuízos levaram empresários a investir em soluções próprias para garantir o atendimento. No restaurante Beira da Lagoa, no interior do município, as proprietárias Zenilda Gautério e Cristiane da Silveira Gautério contam que já precisaram dispensar clientes com o salão cheio por falta de energia.
— Foi horrível. Salão cheio e o pessoal indo embora — relatam.
Para evitar novas perdas, o estabelecimento adquiriu um gerador de grande porte, capaz de manter a operação mesmo durante as quedas.
— Foi um investimento alto, mas foi a solução. Sem luz, não tem como manter o atendimento — afirmam.
A esperança é de que a nova estrutura represente, enfim, uma solução definitiva para um problema que há anos faz parte da rotina da cidade.
— Esperamos que essa situação pare de ser recorrente — finaliza Vanessa.
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