
O relinchar dos cavalos, o trote apressado e as arquibancadas tomadas pelo público deram o tom do último dia do 29º Rodeio Internacional de Pelotas, neste domingo (12), no Parque de Eventos Morada do Sol. Desde sexta-feira (10), milhares de pessoas circularam pelo espaço, confirmando um dos fins de semana mais movimentados do calendário tradicionalista do sul do Estado.
Ao longo dos três dias de programação, o rodeio reuniu competidores do Brasil, Uruguai e Argentina, além de famílias vindas de diferentes cidades da região. As gineteadas, principal atração do evento, mantiveram o público atento à pista até o fim da tarde, em disputas que exigiam técnica e experiência.
Para Lineker Silva, conhecido como Lico, que assumiu neste ano pela primeira vez a função de capataz de campo, a edição teve um significado especial. Filho de Claiton Jardel da Silva, o Dula, figura histórica da organização do rodeio, ele passou a liderar a parte campeira da festa após anos atuando nos bastidores.

— Esse é meu primeiro ano como capataz de campo. Sempre estive na organização, cuidando da parte campeira, mas agora a responsabilidade é maior. Mesmo assim, é gratificante ver a casa cheia, o público interagindo e tudo acontecendo como a gente planejou — afirmou.
Público intenso e inovação
Embora a organização não tenha fechado o número final de visitantes, Lineker avalia que a movimentação superou a expectativa inicial de público.
— As arquibancadas estiveram lotadas grande parte do tempo, e isso mostra a força do rodeio — comentou.
Uma das novidades desta edição foi a transmissão ao vivo das gineteadas pela internet, iniciativa que ampliou o alcance do evento para além do parque.
— Todo ano a gente busca alguma coisa nova. A transmissão foi um passo importante para levar o rodeio a quem não consegue estar presente e para valorizar ainda mais quem está na pista — destacou.
Ginetes como protagonistas
Para o capataz, o centro do rodeio segue sendo quem compete. Ao todo, foram 54 montas classificatórias, que selecionaram os finalistas em provas marcadas pelo elevado grau de dificuldade.
— Aqui, as estrelas da festa são os ginetes e os apoiados. Não é a organização — reforçou Lineker.
Os números refletem o nível técnico do rodeio: 13 montas avançaram às semifinais, com quatro campanas registradas. Já na final, nenhuma montaria completou a prova, o que, segundo Lineker, demonstra a exigência dos cavalos e das disputas.
Entre os competidores que voltaram a prestigiar o evento está o ginete Luiz Fernando da Silveira, conhecido como Piolho, natural de São Gabriel. Ele participa do rodeio do Morada do Sol desde 2022, quando conquistou o título logo na primeira participação.

— O Morada do Sol é diferente. É um rodeio grande, um rodeio que todo ginete quer ter no currículo. A adrenalina aqui dentro da pista é outra — afirmou.
Acostumado a lidar diariamente com cavalos, Silveira explica que uma das marcas da gineteada é competir com animais que o ginete nem sempre conhece.
— A gente tem que estar preparado para tudo. Quanto mais bravo o cavalo, maior a chance de subir a nota. Faz parte da competição — disse. Neste ano, ele terminou na quarta colocação.
Muito além da pista
Além das provas campeiras, o rodeio reafirmou seu papel como espaço de convivência familiar e preservação da cultura gaúcha. Nos arredores da arena, eram comuns rodas de mate, crianças acompanhando as atividades e visitantes circulando entre a praça de alimentação e os estandes.

Com o encerramento da 29ª edição, a organização já projeta a próxima. Em tom de expectativa, o capataz antecipa que o 30º Rodeio Internacional de Pelotas deve ganhar atenção especial.
— Se Deus quiser, os 30 anos vão ser baguais — disse, ao observar a última rodada de aplausos do público nas arquibancadas.
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