
O produtor Luis Carlos Poersch, de Pedras Altas, conquistou reconhecimento nacional ao ter sua semente eleita a melhor do Brasil durante a 28ª Festa Nacional da Cebola, realizada em Ituporanga, no estado de Santa Catarina. Com o resultado, ele alcança o tricampeonato consecutivo na premiação.
Mais do que um troféu, o reconhecimento é simbólico no setor.
— Nosso prêmio maior é ser reconhecido nacionalmente como a melhor semente do mercado — afirma.
A produção é desenvolvida pela empresa dele, a Luis Sementes, na localidade de São Diogo, onde a empresa mantém a base de cultivo. O processo começa com a plantação da cebola, que depois dá origem à chamada “cachopa”, estrutura onde se forma a semente.
Processo leva até oito meses
O ciclo completo de produção envolve diversas etapas e pode levar até oito meses, desde o plantio até o produto final estar pronto para comercialização.
A cebola utilizada vem de Santa Catarina já dentro de padrões técnicos, mas passa por uma nova seleção na propriedade.
— Só entra no solo uma cebola muito uniforme, com padrão de cor e qualidade, para garantir a melhor semente — explica.
Após o plantio, a cultura exige acompanhamento constante. A planta é considerada sensível e demanda cuidados ao longo de todo o desenvolvimento.
Depois da colheita, o material passa por um processo de secagem em estufas por cerca de 18 a 20 dias, com ventilação contínua. Em seguida, ocorre a trilha, separação por peneiras e classificação por peso em mesas de gravidade.
A última etapa inclui armazenamento em câmara fria e envio para Santa Catarina, onde ocorre a análise laboratorial, embalagem e comercialização.
Colheita mobiliza até 150 pessoas
Apesar do uso crescente de tecnologia, parte do processo ainda depende de trabalho manual. O plantio e a colheita são feitos, em grande parte, à mão.
Na safra mais recente, foram plantados 64 hectares de cebola para produção de sementes. Durante a colheita, a operação mobilizou entre 130 e 150 trabalhadores, responsáveis por cortar manualmente cada unidade.
— É um processo que precisa ser rápido, então exige bastante mão de obra nessa fase — afirma.
Fora do período de colheita, a equipe fixa conta com cerca de seis pessoas na lavoura, além de 11 funcionários na sede da empresa, em Santa Catarina.

Qualidade como diferencial
Segundo o produtor, o principal critério avaliado na premiação é a qualidade da semente, fator determinante para o desempenho das lavouras.
— Nós não estamos falando em grão, estamos falando em semente. É um produto muito pequeno, mas que precisa ter o máximo de qualidade — destaca.
A avaliação é feita por julgadores de diferentes regiões do país, e o resultado garante visibilidade no mercado nacional.
— Quando você é campeão, automaticamente passa a ser reconhecido como referência — afirma.
Trajetória no campo
Natural de Bom Princípio, na Serra Gaúcha, Luis Carlos tem 69 anos e mais de quatro décadas de atuação no setor. Antes de abrir a própria empresa, há 16 anos, trabalhou por 31 anos em outras companhias do ramo, atuando na abertura de mercados em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
Hoje, divide o trabalho entre a gestão da produção na fronteira e o acompanhamento da equipe comercial.
— Sempre procurei aprender e melhorar. Quem quer se manter no topo precisa estar sempre evoluindo — afirma.
Busca por novos títulos
Mesmo com o tricampeonato, o objetivo é seguir avançando.
— Agora vamos atrás do quarto, do quinto. A gente nunca para — projeta.
A estratégia envolve investimento em tecnologia, qualificação da equipe e aprimoramento contínuo do processo produtivo.
Para o produtor, o reconhecimento nacional é resultado de um trabalho que combina experiência, controle técnico e dedicação ao longo de toda a cadeia produtiva.
— A maior gratificação é entregar qualidade para quem está lá na ponta, no campo — resume.
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